O ministro Edson Fachin autorizou a prorrogação por mais 60 dias do inquérito
Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
O ministro Edson Fachin autorizou a prorrogação por mais 60 dias do inquérito

O ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin , relator da Operação Lava Jato na Corte, autorizou a prorrogação por mais 60 dias do inquérito contra Eunício Oliveira (MDB-CE), presidente do Senado, e Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. Anteriormente, as investigações já haviam sido adiadas pelo mesmo período, depois do pedido de delegados da Polícia Federal.

A prorrogação no prazo final das investigações contra Eunício e Rodrigo Maia foi requerida pela procuradora-geral da República,  Raquel Dodge, no dia 7 de maio, reforçando a solicitação feita pelos responsáveis pelo caso na PF.  

Na petição, Dodge citou as “investigações pendentes da Polícia Federal” e enfatizou que nenhuma das diligências previstas foi cumprida pelos delegados. Entre elas, a procuradora aponta a oitiva como testemunha de Carlos Parente,  executivo da Braskem, subsidiária da Odebrecht.   

Nos últimos dois meses, também não foram feitas perícias nos sistemas de comunicação e contabilidade paralela da Odebrecht, chamados Drousys e Mywebdayb, conforme previstas, destacou a PGR.  "Assim, a Procuradora-Geral da República requer a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito", escreveu Dodge, "considerada a existência de diligências pendentes e necessárias".

Neste mesmo inquérito são investigados os senadores Romero Jucá (MDB-RR), presidente do partido, e Renan Calheiros (MDB-AL), além do deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA) – que se tornou réu no STF em decorrência de outro caso no dia 8 de maio.

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Eunício e Rodrigo Maia na delação da Odebrecht

A investigação tem como base a delação premiada do ex-presidente-executivo da Odebrecht Marcelo Odebrecht, e de outros cinco executivos da empresa, que relataram o pagamento de mais de R$ 7 milhões aos parlamentares para que duas medidas provisórias favoráveis ao grupo fossem aprovadas no Congresso em 2013.

Segundo planilhas apresentadas por delatores, Rodrigo Maia teria recebido R$ 100 mil
Tânia Rêgo/Agência Brasil - 2.3.18
Segundo planilhas apresentadas por delatores, Rodrigo Maia teria recebido R$ 100 mil

Entre os beneficiários, estão os atuais presidentes das casas do Legislativo, Eunício Oliveira (MDB-CE) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), além dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Romero Jucá (MDB-RR) e do deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA). O texto tratava da redução de cobranças de impostos para o setor químico, beneficiando diretamente a empresa Braskem, do mesmo grupo da empreiteira.

De acordo com o Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da empresa, não houve contato direto com o presidente do Senado, mas com um suposto intermediário.

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"A gente recebe uma pessoa e essa pessoa vem falar também desse repasse que estava sendo feito de R$ 2 milhões e pouco", afirmou. "E a gente veio saber que essa pessoa era um preposto do senador Eunício Oliveira. Eu não tratei nada com o senador Eunício Oliveira, assim como não tratei nada com o senador Renan Calheiros, mas há esse direcionamento", afirmou Melo Filho.

Segundo planilhas apresentadas por delatores, Eunício Oliveira teria recebido mais de R$ 2 milhões, enquanto Rodrigo Maia teria recebido R$ 100 mil. 

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