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Advogados alegaram que os fatos não têm relação com as investigações da Lava Jato e, por isso, devem ser remetidos para a Justiça Federal em Brasília

Para defesa do ex-presidente Lula, os fatos devem ser remetidos para a Justiça Federal em Brasília
Marcos Oliveira/Agência Senado - 29.8.16
Para defesa do ex-presidente Lula, os fatos devem ser remetidos para a Justiça Federal em Brasília

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta quarta-feira (16) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin que trechos das delações de executivos do grupo J&F não sejam remetidos para a 13ª Vara Federal em Curitiba, comandada pelo juiz Sérgio Moro. 

Para os advogados de Lula , os fatos não têm relação com as investigações da Lava Jato e, por isso, devem ser remetidos para a Justiça Federal em Brasília, onde estão em tramitação outros processos envolvendo as delações do grupo J&F.

"Registre-se, por oportuno, que já se encontram em trâmite, perante a Subseção Judiciária de Brasília, três procedimentos investigatórios oriundos dos termos de colaboração que visam a apurar a suposta conta que o Grupo JBS manteria em benefício do Peticionário ou do Partido dos Trabalhadores", argumenta a defesa. 

Em um dos depoimentos de delação, o empresário Joesley Batista disse que tratou assuntos de interesse da JBS com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega no âmbito do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em contrapartida, o PT teria recebido contribuições em contas no exterior, que poderiam ter o ex-presidente como beneficiário. 

Em 2005, por exemplo, o dono da JBS relatou que pleiteou junto ao BNDES financiamento no valor de US$ 80 milhões para tocar um plano de expansão da empresa. O encontro com Guido Mantega, então presidente do banco, foi intermediado pelo empresário Victor Garcia Sandri, amigo pessoal de Mantega.

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Vic, como o empresário é conhecido, pediu naquela ocasião para que fosse pago a ele e a Guido um percentual de 4% do valor total do financiamento. O pagamento foi feito por meio de uma conta de offshore, segundo conta Joesley.

As transações entre o grupo JBS e o BNDES prosseguiram nos anos seguintes, mesmo com Guido Mantega já longe do banco, que passou a ser presidido por Luciano Coutinho. Joesley conta que Mantega influenciava nas decisões do BNDES e, em 2009, o empresário passou a tratar da propina diretamente com Guido, sem mais a intermediação do empresário Vic.

Doações e encontro com ex-presidente

Em 2014, conta o empresário na delação, Guido Mantega o chamou "quase que semanalmente" para reuniões, nas quais ele apresentava listas de políticos que deveriam receber doações de campanha pela JBS. No primeiro encontro, em julho de 2014, a lista se referia a candidatos do PMDB.

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Joesley afirma que, naquele ano, ele encontrou com o ex-presidente Lula na sede do Instituto Lula em São Paulo e disse que as doações da JBS para campanhas já ultrapassavam R$ 300 milhões. O empresário se mostrou preocupado com a situação e disse ao petista que isso "atraía risco de exposição". O ex-presidente então "olhou nos olhos de Joesley, mas nada disse", conforme relata o dono da JBS.

 * Com informações da Agência Brasil

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