Ex-presidente e seu filho caçula são réus nesse processo da Operação Zelotes por suposto esquema com casal de lobistas para favorecer Saab

Ex-presidente Lula é acusado de ter cometido crimes de tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro
Fernando Frazão/Agência Brasil - 6.6.16
Ex-presidente Lula é acusado de ter cometido crimes de tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do DF, agendou para o dia 21 de junho os depoimentos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de seu filho caçula, Luís Cláudio, e dos demais réus da ação penal da Operação Zelotes que investiga supostos crimes envolvendo a compra dos caças Gripen , fabricados pela sueca Saab.

O reagendamento das audiências foi definido pelo juiz de Brasília nessa terça-feira (13) mediante autorização da Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Os depoimentos foram inicialmente marcados para ocorrer ainda em outubro do ano passado, mas os interrogatórios foram suspensos a pedido da defesa de Lula . Após isso, em novembro, o processo acabou paralisado devido à falta de resposta de testemunhas que moram no exterior e foram arroladas pelas defesas do ex-presidente e de seu filho.

O ex-presidente é acusado nesse processo de ter cometido crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo os procuradores da Zelotes, o petista teria oferecido interfências no governo de sua sucessora na Presidência, Dilma Rousseff, para beneficiar empresas – entre elas a Saab. Além do petista e de Luís Cláudio, também são réus nessa ação penal os lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni.

O MPF alega que Lula teria atuado entre 2013 e 2015 para oferecer benefícios às empresas MMC, grupo Caoa e Saab, que eram assessoradas pela empresa do casal Mauro e Cristina. Em troca, os lobistas teriam repassado pouco mais de R$ 2,5 milhões a Luís Cláudio.

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Bloqueios e desbloqueios

Segundo a acusação, a compra de 36 caças Gripen pelo governo federal, em 2013, só ocorreu após a empresa de Mauro e Cristina interferir junto ao ex-presidente em favor da sueca Saab. O processo para eleger o modelo de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB) durou cerca de oito anos e resultou na maior compra militar da América Latina.

Além das aeronaves, essa ação penal também apura suposta negociação irregular envolvendo a medida provisória do governo que prorrogava incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos.

Além de agendar os interrogatórios, o juiz Vallisney ordenou, ainda a liberação imediata do montante de R$ 8 milhões que estavam bloqueados na conta da empresa do casal Mauro e Cristina. A medida havia sido determinada pelo desembargador Olindo Menezes, do TRF-1. Ainda em novembro do ano passado, o MPF havia pedido também o bloqueio de R$ 24 milhões de Lula e de seu filho, mas não houve decisão sobre o pedido até o momento.

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