Planalto afastou hipótese de vazamento após ministro do STF pedir investigação por achar que advogado "revelou conhecimento" de "procedimentos absolutamente sigilosos" no caso da quebra de sigilo

Michel Temer é o primeiro presidente da República a ter o sigilo bancário quebrado por ordem judicial
Beto Barata/PR - 7.7.17
Michel Temer é o primeiro presidente da República a ter o sigilo bancário quebrado por ordem judicial

O Planalto rebateu as suspeitas levantadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso sobre a ocorrência de vazamento de informações "absolutamente sigilosas" para a defesa do presidente Michel Temer.

A desconfiança de Barroso decorreu do  pedido dos advogados de Temer para ter acesso ao procedimento no qual o ministro determinou a quebra do sigilo bancário do presidente. Essa ação tramita paralalemante ao inquérito sobre o Decreto dos Portos, que investiga Michel Temer por suposta propina da empresa Rodrimar, que opera o porto de Santos (SP).

Barroso entendeu que a solicitação da defesa do emebebista "revela conhecimento" de "procedimentos de investigação absolutamente sigilosos" e ordenou uma investigação sobre o "novo vazamento" .

Em nota, o Planalto informou que as referidas informações estavam disponíveis no próprio site do STF – descartando assim a hipótese de vazamento ilegal. "O escritório do advogado do presidente Michel Temer, Antônio Mariz, já está esclarecendo ao ministro Luís Roberto Barroso que os dados sobre o presidente estavam disponíveis e foram coletados no site do STF", diz a nota divulgada nessa terça-feira (6).

A primeira vez que um presidente tem o sigilo bancário quebrado

Integrantes da alta cúpula do governo manifestaram indignação com a decisão de Barroso em determinar a quebra do sigilo bancário de Temer – fato inédito contra presidente da República no exercício do mandato. Ainda nessa terça-feira, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Carlos Marun (Secretaria de Governo) saíram em defesa do presidente e disseram que Temer "não tem nada a esconder".

A quebra do sigilo bancário foi autorizada a pedido da Polícia Federal no âmbito das investigações que apuram se foi paga propina a Temer em troca de favorecimento na edição Decreto dos Portos. Assinado pelo presidente em maio do ano passado, esse texto regulamenta contratos de concessão e arrendamento do setor portuário.

Tão logo a medida foi autorizada por Barroso, o Planalto soltou nota garantindo que Temer pediria os extratos de suas contas bancárias ao Banco Central e que o presidente "não tem nenhuma preocupação com as informações constantes em suas contas bancárias".

Além do presidente Michel Temer, também terão os sigilos bancários quebrados João Baptista Lima, o coronel Lima (amigo pessoal de Temer); o ex-assessor da Presidência e também amigo pessoal de Temer, José Yunes; o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures (famoso pelo episódio da mala com R$500 mil); e Antonio Celso Grecco e Ricardo Mesquita, empresários ligados à Rodrimar. Esses três últimos figuram o ról de investigados no inquérito relatado pelo ministro Barroso.

Leia também: Fachin inclui Temer em inquérito que investiga Padilha e Moreira Franco no STF

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.