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Pesquisa eleitoral não poderá abordar temas que traçam o perfil do eleitorado, como aborto, maioridade penal ou legalização das drogas

Ministro Fux, presidente do TSE
Fellipe Sampaio/SCO/STF - 17.11.2016
Ministro Fux, presidente do TSE

O Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) divulgou nesta segunda-feira (5) as novas regras que irão reger as eleições de 2018. Uma delas chamou a atenção e despertou críticas por parte dos institutos de pesquisa.

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Trata-se da resolução que impede que as pesquisas eleitorais abordem temas que não estejam estritamente ligados à eleição.

“Nos questionários aplicados ou a serem aplicados nas pesquisas de opinião pública , são vedadas indagações a respeito de temas não relacionados à eleição”, determinou o TSE.

Assim, questões sobre temas que ajudam os institutos de pesquisa a traçar um perfil do eleitorado, como legalização do aborto, casamento gay, descriminalização das drogas ou redução da maioridade penal, estão, a princípio, vedados em pesquisas eleitorais.

Ao jornal Folha de S.Paulo , o diretor-geral do instituto Datafolha lamentou a decisão. “Pode provocar o cerceamento do livre trabalho dos institutos. Quando estamos investigando eleição, investigamos vários assuntos que fazem parte do processo eleitoral”, disse.

Márcia Cavallari Nunes, diretora do Ibope, concorda que a determinação é negativa para o processo democrático. “Empobrece o entendimento do processo eleitoral”, disse à Folha .

Lula lidera pesquisas

Mesmo com a possibilidade de ser impedido pela Justiça Eleitoral de disputar as eleições presidenciais deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga a corrida pelo cargo mais alto do Poder Executivo. As informações são de uma pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (6).

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De acordo com o levantamento da Confederação Nacional do Transporte ( CNT ), no cenário em que aparece como uma das opções, Lula lidera a corrida presidencial com 33,4% das intenções de voto, frente aos 16,8% alcançados pelo segundo lugar, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Quando o petista é descartado das opções, Bolsonaro aparece em primeiro lugar. O resultado se repetiu em todos os cenários, sendo que o deputado, com uma média de 20% das intenções de voto, é sempre seguido pela ex-senadora Marina Silva (Rede).

Quando perguntados sobre as intenções de voto no segundo turno, os brasileiros que participaram da pesquisa foram categóricos: Lula vestiria a faixa presidencial, seja qual fosse o adversário direto.

Porém, a situação do petista com a Justiça dá outro tom à disputa. Afinal, sem Lula, Bolsonaro, Marina e Alckmin aparecem empatados tecnicamente no segundo turno, seja qual for a disputa.

A pesquisa CNT/MDA foi realizada no período entre o dia 28 de fevereiro e 3 de março. Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões. E a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais com 95% de nível de confiança.

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