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Raul Jungmann, ministro da Defesa, reconhece que migração de criminosos costuma acontecer em áreas onde a atuação militar é efetiva

Forças Armadas permanecerão no Rio de Janeiro até o fim do ano, período de vigência do decreto de intervenção federal
Fernando Frazão/Agência Brasil - 20.2.18
Forças Armadas permanecerão no Rio de Janeiro até o fim do ano, período de vigência do decreto de intervenção federal

Para o ministro da Defesa , Raul Jungmann, é “plausível” que criminosos fluminenses fujam para outros estados em decorrência da intervenção militar na segurança pública no Rio de Janeiro. A declaração foi dada ao jornal Folha de S.Paulo após um almoço do ministro com autoridades das Forças Armadas.

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Jungmann afirmou que o governo está preocupado com a possiblidade, pois em regiões onde a repressão militar é efetiva é comum que os criminosos fujam para outras áreas.

O movimento se observou, por exemplo, nos primeiros anos da implementação das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro: bandidos migraram para Niterói e para a Baixada Fluminense, fazendo aumentar as taxas de crimes nestas regiões.

“Eu acho que é plausível, porque essa migração ocorre, por exemplo, dentro do Rio de Janeiro, dentro de Pernambuco e dentro de Goiás. Onde há uma eficácia maior, o crime de certa maneira migra. Há uma preocupação que a gente tem de cuidar para que não se corporifique", reconheceu o ministro.

Jungmann também adiantou que o interventor no Rio, o general Braga Netto, deve apresentar na próxima semana o plano de atuação das Forças Armadas no estado.

Estados se preparam

Os secretários de Segurança Pública do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo se reuniram nesta quinta-feira (22) com o ministro da Justiça, Torquato Jardim, para discutir medidas para reforçar a segurança na divisa entre os estados e o Rio de Janeiro.

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Em Minas Gerais, parte do plano é reforçar a vigilância nas estradas de acesso ao estado. “A nossa polícia está com muita atenção, com um olhar cuidadoso, sobretudo na região de divisa com o estado do Rio de Janeiro”, disse o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Helbert Figueiró de Lourdes, após reunião em Belo Horizonte com o governador Fernando Pimentel (PT).

“Vamos, agora, analisar eventuais reflexos [da intervenção], que até agora não foram percebidos”, acrescentou o comandante-geral.

Já a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito informou que, até o momento, não surgiu “nenhuma movimentação que aponte necessidade imediata de atuação”.

O secretário de Segurança de São Paulo, Mágino Alves, também demonstrou otimismo com a atuação do Exército.

“Não existe o risco de bandidos cariocas migrarem para São Paulo. Já houve várias ocupações simultâneas de comunidades no Rio de Janeiro e a fuga dos criminosos não foi para o nosso estado. E desta vez isso também será igual”, afirmou o secretário.

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