Escrevente diz ter sido responsável por documento de venda de sítio para Lula

Minuta de venda, contudo, não chegou a ser assinada pelo ex-presidente Lula (PT); escrevente prestou depoimento ao juiz Sergio Moro
Foto: TVT/ Reprodução
Ex-presidente Lula recebeu sentença de 12 anos e um mês no caso tríplex da Operação Lava Jato

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o escrevente João Nicola Rizzi, testemunha do Ministério Público, afirmou ter providenciado a minuta de venda do sítio em Atibaia (SP), documento que oficializaria a transferência do imóvel do empresário Fernando Bittar para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .

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O valor da transação seria de R$800 mil, mas a minuta não chegou a ser assinada pelo ex-presidente ou pela ex-primeira dama Marisa Letícia . As informações são do jornal O Globo .

A minuta teria sido produzida atendendo ao pedido do advogado Roberto Teixeira, compadre do líder petista. A transferência, contudo, não foi efetivada.

O documento foi apreendido em março do ano passado no apartamento do ex-presidente em São Bernardo do Campo (SP) em uma das ações da operação Lava Jato, quando Lula foi alvo de pedido de busca e apreensão.

Acusação

O Ministério Público Federal acusa o petista de ter cometido crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em episódios envolvendo o sítio Santa Bárbara, em Atibaia.

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Segundo o esquema descrito na denúncia, o ex-presidente teria, entre 2010 e 2011, dissimulado e ocultado a origem de R$ 150 mil por meio de 23 repasses a José Carlos Bumlai, Fernando Bittar e Rogério Pimentel.

Ainda neste mês de fevereiro, outras testemunhas da acusação foram ouvidas por Moro . Entre eles, o ex-presidente da empreiteira Camargo Corrêa, Dalton Avancini, e o doleiro Alberto Youssef.

Ambos disseram não saber sobre as supostas reformas que teriam sido realizadas no que, para a acusação, pertence na verdade ao ex-presidente. No cartório, o sítio está no nome do empresário Fernando Bittar, amigo de Lula.

Já o ex-gerente da Petrobrás, Pedro Barusco, e o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, também afirmaram desconhecer as obras. De acordo com eles, só vieram a saber sobre o sítio em Atibaia por reportagens na imprensa.

Em nota, os advogados de Lula afirmam que as acusações mostram "desesperada tentativa para justificar à sociedade a perseguição imposta ao ex-presidente nos últimos dois anos, com acusações frívolas e com objetivo de perseguição política".

Os advogados reafirmaram, também, que Lula não é o dono do sítio e que ele e seus familiares só visitavam o lugar por serem amigos “há mais de 40 anos” de Fernando Bittar.

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