Ex-presidente da JBS, Wesley Batista está preso desde setembro por crime contra o mercado de valores; Joesley segue preso na carceragem da PF

Irmão de Joesley, Wesley Batista foi a primeira pessoa a ser presa por crime de insider trading no Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 8.11.17
Irmão de Joesley, Wesley Batista foi a primeira pessoa a ser presa por crime de insider trading no Brasil

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (20) autorizar o empresário Wesley Batista, ex-presidente do grupo JBS, a cumprir prisão domiciliar. Joesley Batista, irmão de Wesley e pivô da maior crise atravessada pelo governo Michel Temer , também teve pedido de habeas corpus aceito, mas continuará preso na carceragem da Polícia Federal em São Paulo devido a outra ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A substituição da prisão de Joesley e  Wesley Batista por medidas cautelares foi defendida pelo relator dos pedidos de habeas corpus, ministro Rogério Schietti Cruz. Outros dois magistrados acompanharam o relator e dois divergiram, encerrando o julgamento com 3 votos a 2 em favor de mandar  Wesley Batista para casa.

O empresário estava  preso em São Paulo desde setembro do ano passado por crime de insider trader, que é o uso indevido de informação privilegiada para obter vantagens na negociação com valores mobiliários. Ele foi a primeira pessoa a ser presa por esse motivo no Brasil (Joesley também teve a prisão decretada por insider trader, mas já se encontrava detido em Brasília em decorrência de outra investigação).

Os crimes dos irmãos Batista

De acordo com as investigações que levaram à decretação da prisão dos irmãos Batista, Wesley e Joesley cometeram crimes contra o mercado financeiro e contra a administração do próprio grupo JBS durante as tratativas de seus acordos de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Esses crimes foram caracterizados em operações de venda de parte das ações da JBS que pertenciam aos dois irmãos e que foram recompradas pela administração da própria JBS, então presidida por Wesley. A estratégia, segundo alegou o Ministério Público Federal (MPF) em denúncia , visava diluir o prejuízo com a desvalorização dos papéis com os demais sócios do grupo – já prevendo que essa desvalorização ocorreria após o vazamento de suas delações.

Além disso, Joesley e Wesley Batista também lideraram a compra de US$ 2,8 bilhões em dólares pela JBS visando lucrar com a alta da moeda americana nos dias que se seguiram após a divulgação das delações.

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