"Tomo medida extrema porque assim exigiram as circunstâncias”, declarou o presidente Michel Temer em discurso exibido em rede nacional

Michel Temer assinou decreto sobre intervenção no RJ ao lado de Rodrigo Maia e Luiz Fernando Pezão
Beto Barata/PR - 16.12.18
Michel Temer assinou decreto sobre intervenção no RJ ao lado de Rodrigo Maia e Luiz Fernando Pezão

Em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão sobre o decreto de intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro , o presidente Michel Temer disse que a medida é necessária diante da atuação do crime organizado no estado. O presidente anunciou a presença das Forças Armadas nas ruas e comunidades do Rio e disse que os presídios não serão mais “escritórios de bandidos”.

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“Você sabe que o crime organizado quase tomou conta do estado do Rio de Janeiro. Por isso, decretei hoje intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro. Tomo medida extrema porque assim exigiram as circunstâncias”, disse Temer .

Assim como no anúncio da medida, feito esta tarde, Temer comparou o crime organizado a “uma metástase que se espalha pelo país” e disse que o governo dará respostas “duras e firmes” contra os criminosos e as quadrilhas.

“Não aceitaremos mais passivamente a morte de inocentes. É intolerável que estejamos enterrando pais e mães de família, trabalhadores honestos, policiais, jovens e crianças. Estamos vendo bairros inteiros sitiados, escolas sob a mira de fuzis, avenidas transformadas em trincheiras. Não vamos mais aceitar que matem nosso presente, nem continuem a assassinar nosso futuro.”

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Durante o pronunciamento, Temer também pediu apoio dos moradores do Rio para que sejam “vigilantes e parceiros” no restabelecimento da ordem no Rio de Janeiro.

O decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro já está em vigor, após publicação em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira. A medida, que foi discutida entre Temer, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, precisa ser avalizada pelo Congresso Nacional. 

Em comunicado distribuído a todas as organizações militares na noite de hoje, o Exército informou que um outro decreto presidencial complementar deverá detalhar e regulamentar alguns pontos da medida. “O comandante do Exército, em face da gravidade da crise, entende que a solução exigirá comprometimento, sinergia e sacrifício dos poderes constitucionais, das instituições e, eventualmente, da população”, diz a nota, enviada pela Comunicação Social do Exército.

Veja o pronunciamento do presidente Michel Temer


Pezão anuncia saída

Em entrevista coletiva, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), que conclui o mandato à frente do governo do Rio no fim do ano, admitiu que não pretende concorrer a nenhum cargo público nas próximas eleições. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo .

“Estou saindo. Eu já saí. Não disputo mais nada. Vou terminar meu mandato de cabeça erguida”, disse.

Além dos problemas da gestão, o governador também teve que lidar com problemas de saúde recentemente. Em 2016, o político sofreu com um câncer, mas, felizmente, conseguiu se recuperar.

O governador, contudo, não culpa sua saúde ou os inúmeros casos de corrupção envolvendo seu padrinho político Sérgio Cabral (MDB) , preso na operação Lava Jato, pelos problemas que assolam o Rio.

Para o emedebista, é a crise econômica que explica o insucesso de seu governo. “Somos o segundo polo automotivo, e o setor parou, somos um grande polo siderúrgico, e a siderurgia parou, e a Petrobrás, que é o carro-chefe do Rio, parou. Não sou culpado”, disse.

Pezão, ainda, discordou que a intervenção federal represente uma derrota pessoal para ele. “Não nos diminui em nada. Não me sinto desconfortável. A intervenção é algo que vem sendo discutido há muito tempo”.

* Com informações da Agência Brasil

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