Ex-presidente falou em reunião ampliada da comissão executiva do PT após julgamento que aumentou sua sentença na Lava Jato para 12 anos e um mês

Ex-presidente Lula recebeu sentença de 12 anos e um mês no caso tríplex da Operação Lava Jato após julgamento
TVT/ Reprodução
Ex-presidente Lula recebeu sentença de 12 anos e um mês no caso tríplex da Operação Lava Jato após julgamento

“A eleição sem Lula não existe”, disse a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, antes de entoar o canto “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e anunciar que o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi aprovado por unanimidade para ser o pré-candidato à Presidência da República pelo partido nas eleições de 2018 .

“Hoje é um dia especial. Dentre tantos dias especiais que eu já vivi, hoje é um dia especial, que me dá orgulho. Não orgulho porque ontem teve uma sentença de condenação de três a zero contra mim, mas de orgulho porque, após tantos anos de perseguição, os três juízes se pronunciaram durante tantas e tantas horas – e meu advogado só teve 15 minutos de defesa –, e a imprensa, hoje, não pode falar de corrupção porque não cometi nenhum crime. Eles sabem que condenaram um inocente neste País” afirmou Lula durante a reunião ampliada da comissão executiva do PT que ocorreu na manhã desta quinta-feira (25).

Após julgamento nesta quarta-feira (24), a sentença do juiz Sérgio Moro sobre Lula em relação ao caso tríplex da Operação Lava Jato não foi apenas mantida, mas também elevada em 12 anos e um mês. Ainda assim, o ex-presidente afirma estar com a consciência tranquila “porque sabe o que fez”. Além disso, Lula também aceitou ser pré-candidato do PT.

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Ainda assim, ele fez um alerta de que há outros candidatos e há também as pessoas que o julgaram e devem continuar tentando “tirá-lo” do caminho. “Então, eu espero que essa candidatura não dependa só do Lula. Só tem sentido se vocês forem capaz de fazer mesmo acontecer caso alguma coisa indesejada aconteça. É colocar o povo brasileiro em movimento. E nós temos uma arma poderosa. É cobrar deles todo o santo dia que ele apresente uma prova do crime que eu cometi, que diga ao Brasil o que eu cometi. Não pode dizer eu acho, eu acredito, isso não vale.”

O ex-presidente afirma que a condenação foi baseada em uma ideia, e não provas. “A ideia não se condena, a ideia não cabe em uma cova, a ideia sobrevive, e a ideia de que o povo brasileiro sabe cuidar do Brasil melhor que a elite brasileira já ganhou corpo neste País.”

Julgamento

Por unanimidade, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF-4) decidiu nesta quarta-feira manter a condenação do ex-presidente no caso tríplex da Operação Lava Jato. O relator do recurso do petista, desembargador João Pedro Gebran Neto, votou pela manutenção da sentença do juiz Sérgio Moro e também sugeriu o aumento da pena para 12 anos e um mês de prisão. O voto foi integralmente acompanhado pelo revisor do processo, desembargador Leandro Paulsen e também pelo desembargador Victor Laus.

Lula havia sido condenado na primeira instância a cumprir 9 anos e 6 meses de prisão por crimes de corrupção e lavagem configurados na alegada reserva para si do tríplex 164-A do Condomínio Solaris, no Guarujá (SP). O entendimento de Moro, agora ratificado pelo TRF-4, foi o de que a compra e reforma do imóvel foram oferecidas pela construtora OAS ao ex-presidente e representaram vantagem indevida no valor de R$ 2,4 milhões.

Durante a reunião em que foi lançado como pré-candidato, porém, Lula afirma que o que está sendo julgado é a forma como ele e o partido governam o País. "Está sendo julgada a ousadia de fazer as coisas que nunca haviam sido feitas, a organização que pela primeira vez colocou pobre no debate."

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O ex-presidente disse  ainda que, após ser condenado em qualquer instância, a "perseguição" não vai terminar nele, mas se estender ao partido, também chamado de "organização criminosa por muitos". 

Lula afirmou que vai lutar para que a verdade venha à tona e terminou seu discurso dizendo a Gleisi Hoffmann e todos os presentes que não aceitou a pré-candidatura apenas para disputar, mas para ganhar e voltar a governar. "Nada de cabeça baixa, vou governar para os pobres, os índios, os negros e para os que precisam", encerra o ex-presidente.

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