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Informação põe em cheque explicação de Bolsonaro sobre funcionária em Angra; jornal diz que ela presta serviços na casa de praia do deputado

Em resposta aos questionamentos sobre seu patrimônio, Bolsonaro acusou de “canalha” a imprensa
Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil - 22.06.2016
Em resposta aos questionamentos sobre seu patrimônio, Bolsonaro acusou de “canalha” a imprensa

Há mais de dez anos o deputado federal e possível candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSC-RJ) não envia dinheiro de emendas parlamentares à cidade de Angra dos Reis, onde atua uma funcionária sua paga pela Câmara dos deputados. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

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Uma reportagem publicada na semana passada no mesmo veículo mostrava que o congressista usa verba da Câmara para pagar uma servidora que, na verdade, prestaria serviços particulares de limpeza em sua casa de praia em Angra. Walderice Santos, a funcionária, está na lista de funcionárias do gabinete de Bolsonaro desde 2003.

Questionado pelo jornal, o deputado alegou que Walderice, que também é dona de uma loja de açaí na cidade, tem como função reportar a ele e ao chefe de seu gabinete “qualquer problema na região”, de forma que verbas de emendas parlamentares seriam destinadas para sanar tais problemas.

A checagem do jornal, portanto, coloca dúvida sobre a explicação do deputado. Ainda de acordo com a Folha, Edenilson Garcia, marido de Walderice, seria caseiro do presidenciável em Angra.

Patrimônio

No início do mês, a Folha publicou outra reportagem em que questiona a evolução patrimonial do deputado e seus filhos. A família possui 13 imóveis com preço de mercado de, pelo menos, R$ 15 milhões. Pelo levantamento realizado, a maioria dos imóveis está em pontos valorizados do Rio de Janeiro , como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca.

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Entre os imóveis adquiridos nos últimos dez anos, dois estão em um condomínio na Barra, à beira-mar, na Avenida Lúcio Costa – um dos locais mais valorizados do Rio. De acordo com o jornal, documentos oficiais mostram que as casas foram adquiridas por R$ 400 mil, em 2009, e outra por R$ 500 mil, em 2012. Contudo, na época, a prefeitura avaliava o preço muito acima – algo em torno de R$ 1,06 milhão e R$ 2,2 milhões, respectivamente.

Como a família comprou os dois imóveis com uma diminuição injustificada no valor, segundo os critérios do Coaf (Ministério da Fazenda) e do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), existem indícios de operação suspeita de lavagem de dinheiro.

Em resposta aos questionamentos sobre seu patrimônio, Jair Bolsonaro acusou de “canalha” a imprensa. Ele disse acreditar que está em curso uma tentativa de desestabilizar sua candidatura. “Eles preferem até um petista na Presidência do que eu", afirmou nas redes sociais.

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