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Ex-Procurador-Geral da República foi ouvido em investigação que apura a citações de ministros do STF nas gravações entregues pela empresa à PGR

Rodrigo Janot deixou a chefia do Ministério Público Federal no dia 17 de setembro de 2017
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 25.7.17
Rodrigo Janot deixou a chefia do Ministério Público Federal no dia 17 de setembro de 2017

O ex-Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot , prestou nesta segunda-feira (15) depoimento à Polícia Federal na investigação que trata das gravações entregues por delatores do grupo empresarial J&F à Procuradoria-Geral República (PGR). 

O agora subprocurador Rodrigo Janot falou como testemunha por ter acompanhado todas as etapas do acordo de delação premiada envolvendo o empresário Joesley Batista e foi ouvido nas dependências da Procuradoria-Geral da República (PGR) em função da prorrogativa de marcar dia e local para prestar esclarecimentos.

A investigação foi aberta no ano passado por determinação da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, após as citações de ministros da Corte nas gravações entregues pela J&F à PGR no contrato de delação premiada.

Janot ocupou o cargo de procurador-geral da República até setembro do ano passado e decidiu rescindir o acordo de colaboração de Joesley Batista , Ricardo Saud e Francisco e Assis e Silva, delatores ligados ao grupo J&F. O fato que motivou a decisão foram as suspeitas dos investigadores do Ministério Público Federal (MPF) de que o empresário Joesley Batista e outros delatores esconderam fatos criminosos durante o processo de delação.

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Segundo a procuradoria, um dos suspeitos é o ex-procurador Marcelo Miller. A suspeita da PGR é que Miller atuou como “agente duplo” durante o processo de delação. Ele estava na procuradoria durante o período das negociações e deixou o cargo para atuar em um escritório de advocacia em favor da JBS. Miller nega as acusações e diz que não cometeu ato de improbidade administrativa.

Relatório da investigação

O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Fernando Segovia, entregou no mês passado à Cármen Lúcia, o relatório com as conclusões sobre a investigação acerca de áudios em que delatores da JBS mencionam ministros do STF .

O documento não aponta indícios de envolvimento de integrantes da Suprema Corte com executivos da JBS e recomenda que o caso seja arquivado.

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O então chefe do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot, havia destacado em despacho que "há trechos no áudio que indicam a omissão dolosa de crimes praticados pelos colaboradores, terceiros e outras autoridades, envolvendo inclusive o Supremo Tribunal Federal".

* Com informações da Agência Brasil

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