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Para os petistas, a 'demonização da política atual' feita pelo apresentador do "Caldeirão do Huck" no último domingo representa um abuso dos meios de comunicação, já que o marido de Angélica é tido como possível candidato

Luciano Huck e sua esposa, a apresentadora Angélica, foram ao programa do Faustão neste domingo
Reprodução/TV Globo
Luciano Huck e sua esposa, a apresentadora Angélica, foram ao programa do Faustão neste domingo

Depois do apresentador Luciano Huck afirmar – em rede nacional, durante o Domingão do Faustão , da TV Globo , neste domingo (7) – que vai participar ativamente das eleições de outubro e "botar a mão na massa", ele, o apresentador Fausto Silva e a emissora de televisão se tornaram alvos de um processo do Partido dos Trabalhadores (PT) na Justiça Eleitoral. 

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A representação foi assinada pelos líderes do partido na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS) e no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), e entregue nesta segunda-feira (8). De acordo com o PT, Luciano Huck cometeu e se beneficiou de abuso de poder econômico e dos meios de comunicação em suas declarações.

No processo, é solicitada a inelegibilidade de Huck ou a cassação do seu eventual registro de candidatura, caso ele efetivamente se torne um candidato à Presidência da República, como vem sendo discutido nos bastidores da política e da emissora. O PT pede ainda que os apresentadores e a TV Globo paguem uma multa pela entrevista que foi ao ar.

"Demonização"

No Domingão , o marido da apresentadora Angélica disse que atuará no recrutamento de novos candidatos, mas não foi claro quanto a sua candidatura. 

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"Minha missão esse ano é tentar motivar as pessoas a que votem com muita consciência e que a gente traga os amigos que estão a fim para ocupar a política, senão não vai ter solução. Eu nunca, jamais, vou ser o salvador da Pátria, e o que vai acontecer na minha vida eu também não sei", disse Huck.

"Neste momento, ainda acho que meu papel com esse microfone na mão e aqui na Globo , e motivando as pessoas, pode ser até mais importante do que estar lá", afirmou.

Para os petistas, tais declarações representaram a "demonização da atual política, dos políticos, dos pré-candidatos ao cargo presidencial, e de forma subliminar, a exaltação da pré-candidatura" do apresentador, como se ele fosse "capaz de mudar a realidade vigente e trazer a 'felicidade' esperada pelo sofrido povo brasileiro."

O partido declara ainda que Faustão e Huck "discorreram acerca da necessidade dos brasileiros darem espaço para uma candidatura nova" e que, de forma subliminar, estaria sendo exaltada uma eventual candidatura do apresentador do Caldeirão .

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A representação diz ainda que Huck usou "uma estrutura midiática que nenhum outro pré-candidato terá acesso, causando interferência antecipada na lisura e na igualdade da disputa presidencial que se avizinha". 

Defesa

Em resposta, a TV Globo  afirmou que "cumpre rigorosamente a legislação eleitoral e tem uma política interna sobre eleições ainda mais rigorosa do que a lei".  Além disso, reitou que não apoia qualquer candidato. Confira a íntegra da nota enviada pela emissora:

"A TV Globo cumpre rigorosamente a legislação eleitoral e tem uma política interna sobre eleições ainda mais rigorosa do que a lei. No período que antecede anos eleitorais, conversamos com diversos profissionais do nosso casting para relembrá-los sobre as regras que, entre outras restrições, impedem que contratados da emissora que desejem se candidatar permaneçam no ar em qualquer programa. A TV Globo reitera que não apoia qualquer candidato e que se limitará a realizar a cobertura jornalística das eleições de 2018, seguindo as regras de seus princípios editoriais".

Nem Luciano Huck e nem Faustão se pronunciaram a respeito do processo contra eles e a emissora.

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