Detido na prisão de segurança máxima de Bangu 8, ex-governador do Rio de Janeiro decidiu entrar "em jejum" na sexta-feira: "Sei das consequências para minha saúde, mas não há horizonte, somente mais covardia e perseguição"

Anthony Garotinho e esposa foram presos por suspeita de crimes eleitorais em Campos dos Goytacazes, no interior do RJ
Inácio Teixeira/Coperphoto - 26.9.14
Anthony Garotinho e esposa foram presos por suspeita de crimes eleitorais em Campos dos Goytacazes, no interior do RJ

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho chegou neste domingo (17) ao seu segundo dia sem comer no cárcere de Bangu 8, presídio de segurança máxima no Complexo Penitenciário de Gericinó onde ele está detido preventivamente desde o fim do mês passado .

O advogado do político, Carlos Azeredo, relatou ao jornal O Estado de São Paulo que o ex-governador "está bem" apesar da falta de alimentação. O defensor pontuou que Anthony Garotinho não está em greve de fome, mas sim "em jejum", conforme o próprio político enfatizou na carta anunciando sua decisão, divulgada na sexta-feira (15).

No texto de duas páginas escrito a mão, o ex-governador afirma que sua resolução visa chamar a a atenção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que sejam investigados "juízes e promotores de Campos de Goytacazes", reduto eleitoral do ex-governador e de sua esposa, Rosinha Matheus, no interior fluminense.

Foi a partir de decisão da Justiça Eleitoral em Campos dos Goytacazes, atendendo a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), que  Garotinho e Rosinha foram presos no dia 22 de novembro sob acusação de extorquir empresários e receber propina da JBS.

"Entrarei em jejum por tempo indeterminado até que alguma autoridade do Conselho Nacional de Justiça, de preferência o corregedor, escute o meu clamor. Não receberei mais advogados, nem visitas da família, nem banho de sol", afirmou Garotinho em sua carta.

"Não desejo do CNJ nenhum tipo de benefício, vantagem ou privilégio. Ocorre que, se deixar essa unidade com um novo HC [habeas corpus], sem que os responsáveis por essas prisões ilegais sejam ao menos investigados, farão a 4ª, 5ª, 6ª e quantas prisões forem necessárias para proteger quem os acoberta em suas ilegalidades", continuou.

"É uma decisão pessoal, pacífica. Sei das consequências para minha saúde, mas não há horizonte, somente mais covardia, humilhação e perseguição."

Clarissa Garotinho

A filha do ex-governador, deputada federal Clarissa Garotinho (PRB-RJ), afirmou nesse sábado (16) que a atitude de seu pai "é um ato extremo para defender sua honra e para que as pessoas reflitam".

"Ele não é covarde! Tem mais coragem que todos nós que estamos aqui fora. Que estamos 'censurados por nós mesmos' por acreditar que estamos fazendo o melhor para ele", disse Clarissa, que repetiu o mantra de que a prisão de seu pai teve como objetivo silenciar as denúncias de Garotinho contra o grupo político de Sérgio Cabral.

Antes de ser transferido para o presídio de Bangu 8, no último dia 24, o ex-governador passou dois dias detido na cadeia de Benfica, na zona norte da capital fluminense, onde também estão presos investigados na Lava Jato e adversários políticos de Garotinho, como Sérgio Cabral e os deputados estaduais Jorge Picciani e Paulo Melo.

Anthony Garotinho foi transferido de lá após ter relatado suposta agressão sofrida dentro de sua cela durante uma madrugada. O episódio ainda é investigado.

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