Magistrado ganhou um prêmio durante o evento Prêmio Brasileiros do Ano 2017, da Revista Istoé; membros do governo também não prestigiaram Moro

Sérgio Moro recebeu  o prêmio
Reprodução/Globo News
Sérgio Moro recebeu o prêmio "Personagem do Ano", durante a cerimônia de premiação da revista Isto É, em São Paulo

O juiz federal Sérgio Moro recebeu o prêmio de "Personagem do Ano" dado pela revista " IstoÉ ", na noite desta terça-feira (5), durante cerimônia realizada em São Paulo. No entanto, o que chamou a atenção foram as posturas do presidente Michel Temer e de membros do seu governo que não prestigiaram o magistrado. Quando o juiz foi receber o troféu, Temer permaneceu sentado e sem aplaudir.

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Por outro lado, em seu discurso, Sérgio Moro pediu que Temer reforce a luta contra a corrupção - e pediu mais recursos financeiros para combater o crime organizado. O gesto de Temer contra Moro somou-se a outros episódios recentes que deixaram em evidência a tensão entre o poder Executivo e os responsáveis pela Lava Jato.

Neste ano, a Procuradoria-Geral da República acusou Temer e os ministros Moreira Franco (que também estava no evento) e Eliseu Padilha de serem membros de uma "associação criminosa" que recebeu R$ 587 milhões em propinas.

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Para o mandatário do PMDB, essa foi uma denúncia feita para "desestabilizar" seu governo e chegou a pedir a suspensão do procurador que o acusou, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Já os membros das forças-tarefas da Lava Jato fazem frequentes críticas públicas ao governo Temer.

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, acusou o Poder Executivo de "encurralar" os responsáveis pelo processo cortando o orçamento das investigações e removendo funcionários. 

Lava Jato

Maior homenageado da noite no Prêmio Brasileiros do Ano 2017, Moro disse que a Operação Lava Jato não é um trabalho individual . “Não é um mérito meu, é um mérito institucional, não só do Poder Judiciário, mas igualmente do Ministério Público e da Polícia Federal, e também de órgãos auxiliares, como a Receita Federal”, disse.

Sobre a operação , ele disse que teve início de maneira ostensiva em 2014, e que hoje são 67 acusações em primeira instância, já que o Ministério Público optou por realizar as acusações separadamente. Segundo Moro, há vários casos pendentes, mas até agora 37 casos foram julgados, com 113 pessoas condenadas por corrupção e lavagem de dinheiro.

 “Mais do que os números, o importante é constatar que, de uma maneira pouco previsível, pessoas que se imputavam invulneráveis, poderosas, imunes à ação da Justiça, responderam a processo, muitas foram condenadas, muitas já cumprem pena de prisão. Isso foi um rompimento de uma tradição de impunidade de crimes praticados por poderosos que veio na esteira do precedente do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470”, avaliou Sérgio Moro.

* Com informações da Ansa

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