Declaração foi feita durante caravana do petista pelo Rio de Janeiro e Espírito Santo, estados onde o PT não tem muito apoio para eleições de 2018

Lula chega a Campos dos Goytacazes, onde é recepcionado por apoiadores
Ricardo Stuckert/Instituto Lula - 06.12.2017
Lula chega a Campos dos Goytacazes, onde é recepcionado por apoiadores

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (6), que o juiz Sérgio Moro não escuta o que ele fala, demonstrando contrariedade quanto a operação Lava Jato . "Acho que o Moro é surdo. Não ouve o que falo", declarou. As frases foram ditas durante um entrevista à rádio Continental AM, na cidade de Campos, no interior do Rio de Janeiro.

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Lula também disse que Moro não é quem organiza uma campanha contra sua candidatura à presidência nas eleições de 2018. "Moro é o instrumento", afirmou o ex-presidente. "Tenho indignação com o comportamento da Lava Jato."

O petista está realizando uma caravana pelo Rio de Janeiro e Espírito Santo, após visitar o  Nordeste e Minas Gerais , em viagens anteriores. Membros do PT, ouvidos pelo jornal Folha de S Paulo afirmam que a etapa mais recente é crucial, já que o partido não está forte entre fluminenses e capixabas. E ao contrário do que ocorreu em outros estados, os governadores do Rio e Espírito Santo não irão receber Lula.

O Rio de Janeiro é o cabo eleitoral de Jair Bolsonaro (PSC), local onde o ex-presidente quer reforçar quaisquer intenções de voto que tenha no estado.  Uma  pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (2) reforçou a liderança Lula  na liderança da corrida presidencial de 2018. O deputado ficou com o segundo lugar isolado nas intenções de voto.

Na noite desta terça-feira (4), o petista foi alvo de protestos de apoiadores de Bolsonaro no centro de Campos, com cartazes e palavras de ordem, entre eles uma faixa que dizia "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.  Segundo a Folha de S Paulo, em resposta, sem citar o deputado do PSC, ele afirmou em seu discurso em ato em frente à Câmara dos Vereadores da cidade: "Se o povo está desacreditado, a gente tem que conversar seriamente com o povo", discursou. ”Não vou dar fuzil para fazendeiro. Vou dar terra para trabalhador rural", disse, fazendo referência a opiniões de Bolsonaro.

Candidato convicto

Lula discursou em Vitória (ES), onde reafirmou sua pré-candidatura à presidência
Ricardo Stuckert/Instituto Lula - 05.12.2017
Lula discursou em Vitória (ES), onde reafirmou sua pré-candidatura à presidência

Na parte capixaba da caravana, no domingo (3), Lula reafirmou sua vontade de ser presidente novamente , em Vitória, e usou a frase famosa do ex-técnico da seleção brasileira: “Como disse Zagallo, eles vão ter que me engolir". Ele afirmou ainda que não há porque acharem que ele não será candidato e que, não só irá participar do pleito, como irá “ganhar as eleições".

O ex-presidente Lula fica com a primeira colocação em todos os cenários nos quais foi inserido na pesquisa do Datafolha, seja colocado contra com Marina Silva, Joaquim Barbosa, Michel Temer e Henrique Meirelles.

Violência contra a mulher

Em um comício, também nesta quarta (6), em Campos, Lula também abordou a violência contra mulheres. "Tem muita mulher que vive apanhando do marido porque depende do cara pra comer. E não é só pobre não, rico também. Agora, uma mulher independente, quando estiver de saco cheio do cara, abre a porta e manda ele embora", de acordo com reportagem do Estado de S Paulo.

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E ele elogiou a Lei Maria da Penha: “"O safado que bater numa mulher tem que pagar, para isso fizemos a lei. A mão é pra trabalhar e fazer carinho, não pra bater em mulher". A lei foi sancionada em 2006, durante o segundo mandato de Lula.

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