Um dos primeiros a atender o ex-governador após o episódio, ex-secretário Sérgio Côrtes disse que Garotinho não possuía lesão no pé e que machucado no joelho não é compatível com taco de beisebol, como narrou o político

Imagens divulgadas pela equipe de Anthony Garotinho mostram ferimentos do ex-governador
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Imagens divulgadas pela equipe de Anthony Garotinho mostram ferimentos do ex-governador

Novas testemunhas da  suposta agressão que o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho teria sofrido dentro na prisão foram ouvidas nesta segunda-feira (4) pelo delegado responsável pelo caso, investigado na 21ª DP, em Bonsucesso, na zona norte do Rio.

Preso em razão dos desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro, o ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes foi um dos primeiros a prestar atenção médica a Garotinho após a suposta agressão, ocorrida na madrugada do último dia 24. Côrtes afirmou hoje que o ex-governador não reclamou naquele instante de ter sofrido uma lesão no pé, e acrescentou que o ferimento em seu joelho não é compatível com algo provocado por um golpe com taco de beisebol, como alega Garotinho. As informações foram passadas pelo delegado Carlos César Santos e reportadas pela Globonews .

De acordo com a versão apresentada pelo ex-governador, um homem de aproximadamente 1,70m de altura teria invadido sua cela no presídio de Benfica durante a madrugada, quando ele estava dormindo. Garotinho disse que o sujeito portava algo parecido com um taco de beisebol, usado para desferir um golpe em seu joelho, e chegou a apontar uma arma para ele.

Ainda segundo a versão do político, o agressor teria sugerido que sua ação fora encomendada pelos seus desafetos que também estão presos na penitenciária de Benfica, como Sérgio Cabral (PMDB), o próprio Sérgio Côrtes, e o presidente da Assembleia Legislativa do RJ (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB).

As imagens do circuito interno de monitoramento do presídio, no entanto, não apontam movimentação suspeita nas galerias que dão acesso à cela de Garotinho na cadeia de Benfica. Na semana passada,  agentes penitenciários e o diretor do presídio alegaram que "é quase impossível" que a versão apresentada pelo ex-governador tenha de fato acontecido.

O episódio levou o Ministério Público do Rio de Janeiro a fazer uma varredura no presídio, onde foram encontrados na cela dos presos da Lava Jato  iguarias como camarões, queijo de cabra, presunto cru e bolinho de bacalhau .

Ainda em razão da suposta agressão, a Secretaria de Administração Penitenciária do estado (Seap) decidiu transferir Garotinho para o presídio de segurança máxima Bangu 8 , no Complexo Penitenciário de Gericinó.

Embora a transferência para longe da cadeia que abriga Cabral e Picciani fosse um pleito da defesa de Garotinho, a escolha do presídio de Bangu 8 é tida como uma punição ao político. Por meio de nota, a família de Anthony Garotinho criticou as "insinuações" da Seap de que o ex-governador teria se autolesionado e disse ainda que isso foi usado como um "pretexto para lhe impor punições".

Rosinha Matheus

Nesta segunda-feira, a esposa do ex-governador e também ex-ocupante do Palácio Guanabara, Rosinha Matheus, publicou sua primeira nota nas redes sociais desde que foi libertada da cadeia, na semana passada .

Rosinha voltou a dizer que sua família é vítima de "perseguição" e a atribuir sua prisão e a de seu marido às supostas denúncias que Garotinho fez contra políticos envolvidos em esquemas de corrupção no estado. "Todos sabem que o meu marido, a quem muito amo e admiro, vem denunciando a corrupção do Estado do Rio há cerca de 10 anos. Só aqui o denunciante é preso enquanto parte dos denunciados continua livre pra continuarem com a prática da corrupção e maldades", escreveu.

A ex-governadora também reiterou que nem ela e nem outras pessoas de sua família cometeram crimes. "Não roubamos, não temos contas no exterior, não temos mansões. Não desviamos dinheiro público", afirmou.

A prisão de Rosinha e de Anthony Garotinho foi autorizada pela Justiça Eleitoral após a Promotoria alegar que o casal cometeu crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação de contas eleitorais em Campos de Goytacazes, base eleitoral dos políticos.

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