Ex-advogado da Odebrecht acusa amigo de Moro e Marcelo Miller

Tacla Duran declarou na CPMI da JBS que amigo do juiz tentou intermediar negociações com a força-tarefa da Lava Jato; ele afirmou também que Miller o mandou gravar conversas com executivos da empreiteira
Foto: Divulgação/Odebrecht
Sede da Odebrecht em Salvador; Duran afirmou que teve ajuda de amigo de Moro em delação premiada

O ex-consultor do Grupo Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran , reafirmou que negociou com um amigo do do juiz Sérgio Moro a intermediação de negociações para um acordo de delação premiada, que não foi adiante. Além disso, Duran disse ter sido orientado a gravar conversas com executivos da empreiteira baiana pelo ex-procurador Marcelo Miller. Ele também afirmou que provas usadas na segunda denúncia contra o presidente Temer eram falsas .

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI)  sobre a JBS, por meio de videoconferência,  o ex-consultor da Odebrecht  declarou ter recebido o conselho de contratar um advogado "da panela de Curitiba" para que sua delação premiada, agora fracassada, fosse bem sucedida. Ele, então, teria contratado um amigo e padrinho de casamento do juiz Sérgio Moro, o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Junior, para intermediar negociações paralelas dele com a força-tarefa da Lava Jato.

Zucolotto teria pedido 5 milhões de dólares, a ser recebido por meio de caixa dois, em troca da redução da multa do acordo. Duran fotografou os diálogos telefônicos e enviou as imagens à comissão, para provar a acusação. Posteriormente, Duran disse ter contratado o advogado Marlus Arns, para quem teria chegado a pagar honorários de 1,5 milhão de dólares, além dos impostos.

Em agosto, quando as acusações vieram à tona no jornal Folha de S. Paulo, Moro disse, por meio de nota, ser "lamentável que a palavra de um acusado foragido da Justiça brasileira seja utilizada para levantar suspeitas infundadas sobre a atuação da Justiça".

O ex-presidente Lula chegou a entrar com uma petição para Moro, em que requeria que Duran depusesse no processo do suposto pagamento de propina da Odebrecht ao petista.

Marcelo Miller

Rodrigo Tacla Duran disse não ter fechado acordo de delação premiada com os investigadores da Lava Jato porque não quis. "Eu não aceitei porque me senti constrangido", disse, acrescentando que teria de assumir crimes que não teria cometido. E as críticas ao Ministério Público não pararam por ai.

Duran afirmou ter sido orientado a gravar conversas que teria com executivos das Odebrecht. "Eu fui convocado por uma reunião na Odebrecht e quando comuniquei isso [aos procuradores], Marcello Miller sugeriu: 'Então vai lá e grava'. O ex-procurador Marcelo Miller é acusado de ter auxiliado a JBS no acordo de delação de executivos da empresa, inclusive Joesley Batista. Miller depôs na CPMI nesta quarta-feira (29) e negou ter orientado Batista a gravar o presidente Temer .

Além disso, o advogado acusa o órgão de propor uma delação premiada “à la carte”. "Vou dar um exemplo do que aconteceu comigo. Quando [o ex-procurador Marcello] Miller esteve comigo, ele me deu uma lista de parlamentares, e me perguntou: "Quem o senhor conhece? que o senhor pode entregar?", relembrou.

Por meio de nota, Marcello Miller afirmou que "Rodrigo Tacla Durán é, antes de tudo, um criminoso”, e nega ter “o orientado a gravar conversas com quem quer que seja” ou ter "apresentado a Tacla Durán lista de pessoas sobre as quais ele deveria pronunciar-se”.

Duran vive na Espanha país desde 2016, onde tem cidadania. A justiça brasileira já ordenou a prisão do advogado e solicitou sua extradição, mas o governo espanhol negou o pedido.

Por meio de nota, a Odebrecht afirmou que “as atividades do Sr. Rodrigo Tacla Duran foram informadas pela Odebrecht às autoridades no processo de colaboração com a Justiça" e que ela "vem colaborando com as investigações de forma definitiva, prestando todos os esclarecimentos necessários". 

*com informações da Agência Brasil

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