Miller admite "lambança" no caso JBS e nega ter orientado Joesley a gravar Temer

Interrogado na CPMI da JBS nesta sexta, ex-procurador garantiu que não cometeu crime e negou que Rodrigo Janot soubesse de sua relação com a J&F
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 29.11.17
Ex-procurador Marcello Miller foi ouvido na CPMI da JBS no Congreeso

O ex-procurador Marcello Miller, que é investigado por suspeita de ter  orientado o empresário Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud a omitirem informações em seus acordos de delação premiada, reconheceu que fez uma "lambança" no caso. Ele é ouvido nesta sexta-feira (29) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso que apura a relação da JBS com o BNDES.

Miller admitiu que passou a ter contato com pessoas da J&F (grupo que controla a JBS ) ainda antes de sua exoneração do Ministério Público Federal, mas mesmo assim disse entender que não "traiu" o órgão. O ex-procurador também garantiu que não orientou o empresário Joesley Batista a gravar o presidente Michel Temer (fato ocorrido em março deste ano e que foi o epicentro da maior crise política do atual governo).

"Essa história de eu ser o 'gravador-geral da República'... Isso não existe. Nunca orientei ninguém a gravar ninguém", afirmou o ex-procurador. "Pela vida do meu filho, eu não mandei gravar o presidente", garantiu.

"Não foi tudo perfeito. Eu cometi um erro brutal de avaliação ao fazer isso [atuar junto à J&F antes de sair da Procuradoria]. Eu não cometi crime... Mas eu fiz uma lambança, e é por isso que estou aqui", refletiu Miller.

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Rodrigo Janot

Ex-integrante do grupo de trabalho da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR), Miller negou que o ex-procurador-geral Rodrigo Janot soubesse que ele estava fazendo jogo duplo nas negociações para o fechamento do acordo de delação dos executivos da JBS.

"O doutor Eduardo Pelella [ex-chefe de gabinete de Janot], pelo menos por mim, não teve nenhum conhecimento da atividade preparatória que eu desempenhei em fevereiro e março junto à J&F", disse Miller.

"E o procurador Janot?", questionou o relator da comissão, deputado Carlos Marun (PMDB-MS). "Menos ainda", garantiu o ex-procurador.

"Há um bocado de mistificação e desinformação em torno da minha relação funcinal com o doutor Rodrigo Janot . Eu achei graça quando vi no jornal que eu era o 'braço direito' do Janot. Nunca fui. Ele não tinha nenhuma predileção por mim. Eu não era amigo e muito menos íntimo dele", disse o ex-procurador.

Miller se desligou oficialmente do Ministério Público Federal em 5 de abril e passou a atuar no escritório de advocacia que defende os irmãos Joesley e Wesley Batista. Segundo Janot, os e-mails desse escritório mostram que Miller efetivamente auxiliou a empresa a obter vantagens no acordo de leniência com a PGR. Janot chegou a pedir a prisão preventiva de Marcello Miller logo após o surgimento das suspeitas acerca de seu nome, mas o requerimento foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin .

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