Lula: “Minha candidatura é a melhor coisa que pode ajudar o Brasil”

Ex-presidente afirmou, em entrevista, que tem as melhores chances de vencer as eleições de 2018; para ele, PT é o melhor partido do país e é preciso respeitar “golpistas” para poder governar um país "dividido"
Foto: Ricardo Stuckert - 13.9.17
Lula é recebido por militantes na chegada para depoimento ao juiz Sérgio Moro, em setembro de 2017

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente condenado em primeira instância à mais de 9 anos de prisão, não demonstra dúvidas nem inseguranças. Pelos menos quando o assunto é a sua possível (e provável) candidatura às eleições de 2018. Em entrevista à agência EFE, publicada nesta sexta-feira (24), o petista fala da necessidade de um Estado mais presente na economia, de um Congresso com “maioria fascista” e reafirma sua vontade em ser, mais uma vez, presidente do Brasil, sem medo de possíveis adversários. “Eu sou o candidato com maior perspectiva de ganhar as eleições no Brasil”.

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Para Lula , o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda continua sendo “o melhor partido que existe no Brasil” e as eleições presidenciaveis do ano que vem serão a chance de trazê-lo de volta ao poder.  E ele não disfarçou que já é virtualmente o único candidato do partido para 2018, mesmo que isso não tenha sido oficializado.

“Em todas as pesquisas de opinião pública feitas, todos os meses, eu apareço com o dobro dos votos de todos os candidatos juntos. O PT não vai abrir mão de um candidato que tem perspectivas de ganhar para tentar criar um candidato novo. Eu gostaria que a gente tivesse dezenas e dezenas de pessoas preparadas no PT para ser candidatas, mas o partido entende que nesse momento a minha candidatura é a melhor coisa que pode ajudar o Brasil”, explicou à agência de notícias espanhola.

Foto: Lula Marques/Agência PT - 5.7.17
Ex-presidente não descarta aliança nem com PMDB, um dos algozes de Dilma Rousseff, durante o processo de impeachment; aqui os dois participam de um comício com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR)

Entre as medidas no caso de voltar ao Planalto estão o financiamento pelo Estado de obras de infra estrutura, como foi feito nas gestões petistas anteriores; investimento na Educação, revertendo a medida do governo do presidente Michel Temer , que congela os gastos na área por 20 anos; e a regulação da mídia brasileira.

Nesta questão, de acordo com Lula, “é preciso democratizar os meios de comunicação no país. Facilitar que universidades, que sindicatos possam ter acesso aos meios de comunicação. Facilitar o direito de resposta”.

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No entanto, o petista reconhece que um só partido não pode governar sozinho, citando exemplos de coalizões na Europa, e a própria experiência em seus dois mandatos. Você vai fazer aliança em função do resultado eleitoral, não aliança para ganhar as eleições [...] fazer um acordo programático com algum partido político”, explicou.

Foto: Beto Barata/PR - 13.07.2017
O presidente Michel Temer (PMDB) era vice de Dilma Rousseff e presidente do partido, antes de assumir chegar ao Planalto.

E como a ex-presidente Dilma Rousseff afirmou , em uma entrevista recente, Lula não descartou se aliar ao PMDB, forte apoiador do impeachment de Dilma. “Nós temos que esperar o resultado eleitoral para não ficar carimbando nenhum partido ou negando qualquer partido político”, afirmou..

O ex-presidente explicou ainda que mesmo não sendo possível perdoar o “golpe”, não há como governar desta forma. “Essa gente que foi para a rua, essa gente que bateu panelas. Essa gente são eleitores brasileiros que nós precisamos respeitar”, ponderou.

Para Lula, o mundo está ficando cada vez mais conservador, usando o exemplo da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e a situação do próprio Congresso Nacional, que teria uma maioria “fascista” Mas para o petista, isso poderia ser resolvido nas eleições.

“Nós vamos ter que trabalhar com o povo durante o processo eleitoral para convencer o povo que ele precisa melhorar a qualidade do Congresso para melhorar as conquistas que precisa”, argumentou.

E diante de um possível segundo turno com o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) , o ex-presidente não antecipou uma disputa já fechada: “Eu não escolho o candidato. Não está certo que o candidato será Bolsonaro ou serei eu no segundo turno [...]  Mas ainda nem começou a campanha, é muito cedo para a gente ficar acreditando e trabalhando em cima só das pesquisas”.

Caso o petista venha a concorrer às eleições  sua rotina tranquila irá mudar. "Eu sou uma pessoa que gosta de ficar em casa [...] não gosto de sair muito. Gosto de construir amizades, sou um homem de muitos amigos", descreve. E ele reflete como isso pode afetar suas habilidades políticas: "Acho que ninguém consegue sobreviver na política se não for um construtor de
amizades".

Condenação 

Foto: Reprodução
Ao ser interrogado pelo juiz Sérgio Moro, ex-presidente Lula diz que Antonio Palocci, que fechou delação premiada, mentiu em depoimento

Lula  foi  condenado em primeira instância à 9 anos e 6 meses, no caso do triplex, no ABC paulista, supostamente fruto do repasse de dinheiro e serviços de empreiteiras, em troca de ajuda em contratos públicos. Porém, o petista não se disse contra a Lava-Jato em si, mas contra a forma como o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol julgam “pelas manchetes dos jornais”.  

“Estou desafiando todo santo dia a Polícia Federal, estou desafiando o Ministério Público e estou desafiando o juiz (Sérgio) Moro a mostrar uma única prova contra mim [...] quando nós fizemos o recurso, o Moro reconhece que não é meu o apartamento e reconhece que não tem dinheiro de propina. Mesmo assim, ele não teve coragem de me absolver, porque ele está prisioneiro dos meios de comunicação”, explicou.

E Lula questiona ainda uma das principais formas pelas quais a Lava-Jato obtém provas, a delação premiada. “Não é possível que alguém esteja sendo acusado de criminoso possa servir como prova de acusação”, argumentou. “Olha, por que ele pega as pessoas que estão sendo acusadas, prende e quer que a delação dessas pessoas tenha validade?”.

Caso o ex-presidente seja condenado na segunda instância, isso o tornaria inelegível e teria início uma disputa judicial sem precedentes no país, segundo juristas e especialistas, onde um condenado concorre à presidência.

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“Eles vão lidar com um político que não roubou”, declarou Lula. “Eu só quero que eles me peçam desculpas, ou que mostrem uma prova”.

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