Os itens são proibidos na cadeia; ainda nesta sexta (24), ex-governador pediu que o juiz Marcelo Bretas se considere impedido de julgá-lo

Ex-governador Sérgio Cabral está preso desde novembro em Benfica,  na zona norte do Rio
Fernando Frazão/Agência Brasil - 17.11.16
Ex-governador Sérgio Cabral está preso desde novembro em Benfica, na zona norte do Rio

O Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) encontrou, nesta sexta-feira (24), alimentos na cela onde está o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) que não poderiam ter entrado na prisão, em Benfica. De acordo com a TV Globo, a comida foi encontrada durante uma fiscalização em caixas e baldes e em uma das embalagens  estava o nome de Cabral.

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O MP encontrou na cela de Cabral  e de outros presos da Lava-Jato iogurte e outras bebidas, camarão, queijo de cabra, presunto cru, castanhas, pão e até bolinhos de bacalhau.

A comida também estava nas celas da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo , da ex-governadora Rosinha Garotinho, presa na quarta-feira, e do empresário Jacob Barata.

Na Cadeia Pública José Frederico Marques, onde estão os acusados, a comida só pode ser entregue em dias de visitação, em duas bolsas de mercado.

De acordo com a norma da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap) que regula a questão, só podem entrar "frutas, alimentos cozidos, leite em pó acondicionado em embalagem tipo saco, biscoitos, bolos, doces acondicionados em sacos ou vasilhames transparentes".Além disso, não é permitida, em hipótese alguma, a entrada e a comercialização de gêneros alimentícios in natura

A Seap não explicou como a comida poderia ter entrado na cadeia.

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Pedido de impedimento

No mesmo dia em que a comida foi encontrada em sua cela, Sérgio Cabral (PMDB) entrou com um pedido de impedimento para Marcelo Bretas, juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, no caso da propina supostamente recebida pelo empresário Eike Batista, de acordo com informações do Estado de S. Paulo.

No esquema do qual o peemedebista é acusado de participar, Eike Batista teria repassado US$ 16,5 milhões (em valores de hoje, cerca de R$ 53 milhões) de propina a Cabral. De acordo com a defesa do ex-governador, ouvida pelo jornal, o fato de Bretas já ter condenado Cabral o impediria de julgar outros crimes dos quais o político é acusado. Para os advogados, seria "ilógico e incoerente" o juiz absolvê-lo já tendo decidido pela condenação nos anteriores.

No texto da defesa, ao qual o jornal teve acesso, Cabral “passou - e ainda passa - por todo tipo de escárnio e execração públicos a que um homem pode ser submetido, além de ter sido apontado, por segmentos interessados e pelo próprio MPF, como o protótipo do malfeitor do serviço público".

Bretas julga, em primeira instância, os supostos casos de corrupção de Cabral e os dois já atritaram em outros processos .

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