Aliado de Cunha, Carlos Marun assume articulação política do governo Temer

Principal expoente da tropa de choque de Cunha e ponta-de-lança das denúncias contra Michel Temer, o polêmico deputado Carlos Marun (PMDB) deve substituir o tucano Antonio Imbassahy na Secretaria de Governo
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 14.6.17
Carlos Marun é gaúcho, mas fez carreira política no Mato Grosso do Sul; ele deve assumir a Secretaria do Governo hoje

O presidente Michel Temer ( PMDB ) deve ceder à pressão de partidos do chamado "centrão" e anunciar a troca do tucano Antonio Imbassahy da chefia da Secretaria de Governo pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que pode tomar posse do cargo ainda nesta quarta-feira (22). A informação foi apurada pela reportagem do jornal Folha de S.Paulo e pela TV Globo

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Polêmico, o deputado Carlos Marun foi o principal nome da 'tropa de choque' de Eduardo Cunha na Câmara, inclusive na votação que culminou na cassação do mandato do ex-presidente da Casa. Marun esteve entre os dez deputados que votaram contra a perda do mandato de Cunha (450 votaram a favor) e foi o único a utilizar a tribuna da Casa para defender o colega. Depois de preso, Cunha ainda recebeu visitas de Carlos Marun em Curitiba.

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Ainda na lista dos "feitos" do deputado do Mato Grosso do Sul, está o destaque de seu trabalho interno pelo arquivamento das duas denúncias da Procuradoria-Geral da República contra Temer. Inclusive, quando a segunda denúncia foi derrubada, Marun 'esnobou' a oposição e chegou a fazer uma 'dancinha da pizza' no plenário da Câmara em comemoração ao resultado.

"Tudo está no seu lugar. Graças a Deus, graças a Deus. Surramos mais uma vez essa oposição, que não consegue nenhuma ganhar", disse Marun no ritmo da canção "Tudo Está no Seu Lugar", de Benito di Paula.

'Dança das cadeiras' e a Previdência

Com a nomeação de Marun e o consequente afastamento do PSDB em mais uma pasta importante do governo, partidos como PP, PSD, PR, PTB, PSC – além do próprio PMDB –comemoram e 'se acalmam', aumentando as chances do Planalto conseguir aprovar a reforma da Previdência, uma vez que havia uma pressão do núcleo para que Imbassahy fosse afastado do cargo de ministro, o que foi decidido na manhã desta quarta-feira pelo presidente, após uma reunião a portas fechadas no Palácio do Jaburu.

Temer realiza uma 'dança das cadeiras' ministerial na tentativa de passar a reforma na Câmara dos Deputados. Ao ceder à pressão do " centrão " e demitir o tucano da Secretaria de Governo, também dá mais um passo para o êxodo do PSDB na base aliada. O partido enfrenta um racha entre aqueles que defendem a saída do governo e outros que desejam apoiar o presidente. 

No último fim de semana, o presidente se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a fim de 'bater o martelo' na reforma ministerial. Na segunda-feira (20), algumas informações de bastidores revelavam que Temer planejava substituir a tucana Luislinda Valois por Antonio Imbassahy na pasta de Direitos Humanos. Mas, por enquanto, a decisão não foi oficializada. 

Também no mesmo dia, foi confirmado o nome de Alexandre Baldy (Podemos-GO) para o ministério das Cidades,  depois de Bruno Araújo (PSDB-PE) pedir demissão na semana passada. 

A cerimônia de posse de Baldy foi confirmada para esta quarta-feira (22) às 17h. Inclusive, o horário foi trocado para que Carlon Marun também fosse empossado.

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