Garotinho se diz alvo de perseguição e liga prisão a suposta ameaça de Picciani

Ex-governador nega crimes imputados a ele e a Rosinha, e amarra juiz de Campos de Goytacazes, Jorge Picciani e Cabral em suposta perseguição
Foto: Inácio Teixeira/Coperphoto - 26.9.14
Anthony Garotinho e esposa foram presos por suspeita de corrupção, organização criminosa e fraude em contas eleitorais

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, preso na manhã desta quarta-feira (22) , disse ser vítima de "perseguição" e associou sua prisão às denúncias que ele diz ter feito a respeito do esquema criminoso envolvendo integrantes da Assembleia Legislativa do RJ (Alerj) e o governo de Sérgio Cabral (PMDB) no estado.

Por meio de nota divulgada pela sua assessoria, Anthony Garotinho garantiu que nem ele e nem sua esposa, Rosinha (que também foi presa nesta manhã), cometeram "crime algum" e embasou a tese de que é alvo de "perseguição" apontando o fato de que a ordem de prisão contra ele foi assinada pelo juiz Glaucenir de Oliveira, o mesmo que decretou a primeira prisão de Garotinho, no ano passado .

"O ex-governador atribui a operação de hoje a mais um capítulo da perseguição que vem sofrendo desde que denunciou o esquema do governo Cabral na Assembleia Legislativa e as irregularidades praticadas pelo desembargador Luiz Zveiter", diz o texto, mencionando denúncias contra o ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Oficialmente, no entanto, a prisão do casal Garotinho decorre de suspeitas de crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais em Campos dos Goytacazes, reduto eleitoral de Anthony e Rosinha no norte fluminense.

"Tiro na cara de Garotinho"

O ex-governador citou ainda uma suposta ameaça feita pelo presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), e indicou receio por agora ser levado ao presídio de Benfica, na zona norte da capital fluminense, onde Picciani está preso desde essa quinta-feira (22)

"Garotinho foi alertado por um agente penitenciário a respeito de uma reunião entre Sergio Cabral e Jorge Picciani durante a primeira prisão do deputado em Benfica [na semana passada]. Na ocasião, o presidente da Alerj teria afirmado que iria dar um tiro na cara de Garotinho", escreveu a equipe do ex-governador na nota, intitulada "Querem calar o Garotinho mais uma vez".

"Agora, a ordem de prisão do juiz Glaucenir é para que Anthony Garotinho vá com sua esposa para Benfica, justamente onde estão os presos da Lava Jato", completa o texto, destacando que a prisão do casal não está relacionada com as investigações da operação. 

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