Aécio reassumiu a presidência do partido para destituir o senador cearense do posto e, em seguida, deixou Alberto Goldman na liderança da legenda

Tasso Jereissati e Aécio Neves polarizam racha no PSDB sobre permanência ou não na base aliada do governo Temer
Marcos Oliveira/Agência Senado
Tasso Jereissati e Aécio Neves polarizam racha no PSDB sobre permanência ou não na base aliada do governo Temer

O senador Aécio Neves (MG) abandonou de vez o  discurso de "paz no ninho tucano" e manobrou nesta quinta-feira (9) para destituir o também senador Tasso Jereissati (CE) da presidência do PSDB.

Presidente licenciado do PSDB , Aécio teve mais cedo uma conversa ríspida com Jereissati e, após o encontro, decidiu assinar um ofício para reassumir o posto que era ocupado interinamente por Tasso desde maio. O segundo colocado na eleição presidencial de 2014, no entanto, optou por não permanecer no cargo, que foi entregue ao ex-governador de São Paulo Alberto Goldman.

Jereissati havia assumido a liderança nacional do partido em maio deste ano , quando Aécio foi afastado de seu mandato como senador por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Motivada pelas conversas gravadas pelo empresário Joesley Batista , da JBS, aquela foi apenas a primeira vez que Aécio perdeu sua cadeira no Senado. O fato se repetiu em setembro, quando a Primeira Turma do Supremo voltou a impedir o tucano de exercer suas atividades no Congresso Nacional.

Aécio alegou em carta entregue à Comissão Executiva Nacional do PSDB que a destituição de Tasso se dá em razão do anúncio da candidatura do cearense para presidir a legenda em definitivo.

"Conforme conversa que tivemos hoje, em razão de sua candidatura à presidência do PSDB, formalizada ontem, e com o objetivo de garantir a desejável isonomia entre os postulantes, estou reassumindo a presidência do partido", escreveu Aécio, que agradeceu Tasso e o desejou "sorte em seus futuros projetos".

Rivalidade rodeia aliança com o governo Temer

Jereissati lançou sua candidatura à presidência tucana nessa quarta-feira (8) com discurso de "decência" e "ética", cobrando punições mais rígidas aos filiados que cometerem ilicitudes. O senador tem rivalizado repetidas vezes com Aécio nos últimos meses , especialmente por defender o rompimento do PSDB com o governo Temer, enquanto o grupo mais próximo ao mineiro é partidário da alinaça com o Planalto.

Para a eleição interna no partido, a ser realizada no dia 9 de dezembro, Aécio defende a candidatura do governador de Goiás, Marconi Perillo.

Aliado de Tasso, o senador tucano Ricardo Ferraço (ES) protestou contra a manobra de Aécio, a quem chamou de "maior decepção para os brasileiros. "Aécio revela total falta de pudor e limites na defesa de seus interesses. Por não ter se curvado aos interesses do Temer, Tasso é mais uma vítima do Aécio, que se transformou na maior decepção para os brasileiros. Vergonha", escreveu o tucano em sua conta no Twitter.

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