Nomeado para substituir Daiello na direção da Polícia Federal, Fernando Segóvia tem simpatia de ala ligada a Sarney e contou com suporte de Padilha para conquistar posto; delegada da Lava Jato era favorita dos servidores

Leandro Daiello (esq.) entregará direção da Polícia Federal a Fernando Segóvia no dia 20 deste mês
Divulgação/Polícia Federal
Leandro Daiello (esq.) entregará direção da Polícia Federal a Fernando Segóvia no dia 20 deste mês

Foi publicada na edição desta quinta-feira (9) do Diário Oficial da União a  nomeação de Fernando Segóvia para o posto de diretor-geral da Polícia Federal – cargo que foi exercido nos últimos seis anos pelo delegado Leandro Daiello. De acordo com a corporação, a posse de Segóvia foi marcada para o dia 20 deste mês e, até lá, Daiello ajudará a planejar a transição para a nova gestão.

Servidor da Polícia Federal há 22 anos, Fernando Segóvia foi superintendente regional da corporação no Maranhão, onde conquistou prestígio junto ao grupo político aliado ao ex-presidente José Sarney (PMDB). O fato foi destacado pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) na Lava Jato, que trabalha em conjunto com a PF nas investigações.

O procurador não teceu maiores comentários sobre a nomeação de Segóvia, mas utilizou sua conta pessoal no Twitter para republicar mensagem postada pelo promotor Roberto Livianu citando o fato de que o delegado não constava da lista tríplice eleita pelos integrantes da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). A mais votada pelos servidores foi a delegada Erika Marena, que pertencia ao grupo de trabalho da Lava Jato no Paraná.

Apesar de não ter conseguido influenciar na escolha do substituto de Daiello, a ADPF informou, em nota, que irá colaborar com Segóvia para o "fortalecimento e aprimoramento dos mecanismos de combate à corrupção" e desejou sorte ao novo diretor-geral da PF.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo , além de contar com o suporte do grupo de Sarney, Segóvia também recebeu apoio do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), que é alvo de investigações e chegou a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os apelos do ministro ao presidente Michel Temer teriam se intensificado após a PF encontrar o esconderijo onde o  ex-ministro Geddel Vieira Lima armazenava cerca de R$ 51 milhões em Salvador (BA). Tanto Padilha quanto Sarney negam ter exercido influência na escolha do novo diretor-geral da PF.

Sob Temer, dupla Janot-Daiello vira Dodge-Segóvia

A troca no comando da PF segue roteiro que estava previsto desde a conclusão do inquérito sobre o chamado "quadrilhão do PMDB na Câmara", que acabou embasando a denúncia oferecida pela PGR contra Temer e integrantes da equipe do presidente. Nesse sentido, Temer já havia anteriormente contrariado a preferência dos servidores do MPF ao nomear Raquel Dodge para substituir Rodrigo Janot na PGR.

Atual diretor-geral da Polícia Federal, o delegado Leandro Daiello é o mais longevo mandatário da corporação na história. Ele foi nomeado ainda em 2011 pelo então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e se manteve no cargo desde então amparado pelas investigações da Lava Jato.

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