Dossiê também seria sobre investigadores da operação; Cabral teria um fundo milionário para financiar o esquema de coleta de informações

O ex-governador do Rio de Janeiro,  Sérgio Cabral, está preso desde novembro de 2016
Valter Campanato Arquivo/Agência Brasil
O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, está preso desde novembro de 2016

A Polícia Federal do Rio de Janeiro está investigando um suposto esquema de coleta de informações sobre integrantes da força tarefa da operação Lava Jato a mando do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB-RJ). O objetivo seria fazer um dossiê contra os investigadores e magistrados, incluindo o juiz Marcelo Bretas, responsável pelo julgamento de Cabral.

As informações sobre esse suposto esquema são da TV Globo. De acordo com a investigação, funcionários de delegacias do Rio faziam consultas de ocorrências sobre a vida pessoal e profissional de integrantes da Lava Jato . Para isso, Sérgio Cabral teria um fundo milionário para pagar a cooperação desses funcionários.

Todos os acessos foram feitos depois que Cabral já estava preso. Somente sobre o juiz Marcelo Bretas e sua esposa, foram oito consultas após o ex-governador ser condenado a 45 anos de prisão por Breta s, na segunda condenação do político. Além disso, a pista que deu inícios da investigação sobre esse suposto dossiê partiu de dentro do própria Penitenciária de Benfica, onde Cabral está preso.

Todos os funcionários que coletaram as informações já foram identificados. Mas a investigação segue em sigilo pois envolve a segurança de membros da Lava-Jato carioca.

Cabral x Bretas

Há duas semanas, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio, determinou a transferência do peemedebista para um presídio federal em Mato Grosso do Sul. Ele atendeu ao pedido do Ministério Público Federal (MPF),  após uma audiência com o político, em que ele fez insinuações sobre atividades da família do magistrado no comércio de bijuterias. Isso incomodou o juiz, que se sentiu ameaçado.

"Vossa excelência tem um relativo conhecimento sobre o assunto porque sua família mexe com bijuterias. Se eu não me engano, é a maior empresa de bijuterias do Estado. São as informações que me chegaram", declarou Cabral no interrogatório.

O pedido da MPF, inclusive, já alegava que Sérgio Cabral tinha acesso a informações externas mesmo estando no cárcere em Benfica – recém-reformado para receber os presos da Lava Jato no RJ.

No entanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acatou o  recurso apresentado pela defesa de Cabral e determinou a  suspensão da transferência do ex-governador. A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, enviou, nesta quarta-feira (8), um parecer ao tribunal que pede que Cabral seja de fato tranferido, mas o documento ainda terá que ser votado pelo plenário do STF.

Também nesta quarta-feira(8), Cabral voltou a depor diante de Bretas e pediu desculpas por ter se exaltado no último depoimento e negou ter feito qualquer dossiê. Antes do encontro entre os dois, a defesa de Sérgio Cabral já tinha afirmado, em um comunicado, que o dossiê "é uma mentira [...] com claro propósito de criar intriga entre o ex-governador e o magistrado, certamente como forma de incitá-lo a determinar nova transferência para um presídio federal".

Além disso, Sérgio Cabral admitiu no depoimento que recebeu R$ 2 milhões de caixa 2 em sua campanha de 2014, do empresário Miguel Iskin, principal fornecedor de equipamentos médicos para o estado do Rio. No entanto, o ex-governador reiterou que isso não significa que não há veinculo entre a doação e as licitações que Skin venceu. 

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