Secretaria vai doar home theater que seria instalado em cadeia onde está Cabral

Equipamentos supostamente foram doados para presídio por igrejas; Ministério Público estadual abriu inquérito para investigar a instalação
Foto: Reprodução/TV Globo
Ex-governador do Rio Sérgio Cabral permaneceu no presídio onde estava depois de decisão de Gilmar Mendes

Os equipamentos da videoteca que seria instalada na Cadeia Pública José Frederico Marques , em Benfica, zona norte do Rio, onde está preso o ex-governador Sérgio Cabral serão todos doados. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) decidiu, nesta quarta-feira (1º), encaminhar os aparelhos para a organização Casa do Menor São Miguel Arcanjo, que funciona em Tinguá, no município de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. O material deve chegar à instituição ainda hoje.

O equipamento é composto de uma televisão de 65 polegadas, home theater, aparelho de DVD, além de centenas de filmes que seriam usados pelos internos da cadeia pública, onde Sérgio Cabral e outros políticos do estado estão presos no âmbito da Operação Lava Jato.

Na terça-feira (31), o Ministério Público estadual abriu inquérito para investigar a instalação do equipamento na cadeia pública de Benfica. De acordo com a Seap, os eletroeletrônicos seriam doação da Igreja Batista do Méier. No entanto, a instituição esclareceu, por meio de nota, que não autorizou doação de aparelho eletrônico a qualquer complexo penitenciário.

A igreja disse ainda que investigará se algum membro da congregação se envolveu no episódio. “A Igreja tem por hábito rejeitar quaisquer ofertas, doações e legados, quando estes tenham origem, natureza ou finalidade que colidam com os princípios éticos e cristãos exarados na Bíblia Sagrada”, destacou em nota.

Transferência suspensa

Na última terça-feira (31), uma liminar deferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)  Gilmar Mendes foi contra uma determinação de transferência do ex-governador Cabral para um presídio federal, acatando o pedido da defesa do tucano.

O recurso contra a troca de endereços de Cabral foi protocolado no Supremo na segunda-feira (30) pelo advogado Rodrigo Henrique Roca Pires sob a alegação de que a transferência "poria em risco sua integridade física e sua própria vida".

A ordem havia partido do juiz Marcelo Bretas, após o ex-governador fazer menção à família do juiz, que trabalha no ramo de bijuterias, durante audiência na Justiça Federal. A decisão foi confirmada pelo juiz Abel Gomes e pela ministra Thereza de Assis Moura.

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Porém, Mendes não achou que a menção à família de Bretas tenha ameaçado o juiz e que Sérgio Cabral tenha recebido informações privilegiadas estando dentro do presídio, conforme tinha sido apontado pelo procurador Sérgio Pinel.

 * Com informções da Agência Brasil

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