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Petista tem vantagem menor entre essa parcela dos eleitores, mas consegue manter liderança em intenções de voto; só 20% dos eleitores admitem seguir líder religioso ao votar – embora candidato ateu ainda tenha forte rejeição

Lula durante visita a Salvador em agosto deste ano; petista lidera pesquisas de intenções de votos
Ricardo Stuckert - 17.8.17
Lula durante visita a Salvador em agosto deste ano; petista lidera pesquisas de intenções de votos

Apenas dois em cada dez brasileiros (19%) admitem que votariam em um candidato indicado por lideranças de seu segmento religioso, segundo revela pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha e divulgada nesta segunda-feira (23).

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O percentual de eleitores que dizem levar em conta as indicações de lideranças religiosas ao votar é maior entre os evangélicos – que hoje representam o segundo maior contingente religioso do Brasil, abrangendo 32% da população. Segundo o Datafolha , chega a 26% o índice de evangélicos que seguiriam recomendações da igreja na urna eletrônica – taxa que sobe para 31% entre os adeptos do movimento neopentecostal (corrente representada pelas igrejas Universal e Renascer em Cristo).

Embora 19% dos brasileiros adeptos de alguma crença admitam a influência da religião em seus votos, o total de eleitores que efetivamente disseram já ter votado em candidatos apoiados por guias de fé é de apenas 9%. Nesse ponto, os evangélicos mais uma vez  presentam índice acima da média: 16%  dessa parcela do eleitorado disse já ter apertado o botão "confirma" para candidatos indicados por líderes de suas igrejas.

Apesar de a pesquisa mostrar que a grande maioria dos brasileiros nega seguir a igreja ao votar, a religião não é deixada de lado na hora de o eleitor se dirigir à urna eletrônica. Apresentados às hipóteses de se depararem com um candidato católico, um evangélico e um ateu, os eleitores entrevistados pelo Datafolha manifestaram resistência em relação a esse último.

De acordo com o instituto, 25% dos entrevistados disseram que votariam, "com certeza", no candidato católico – que teve rejeição de só 16%. Já o candidato evangélico arrebataria o voto de 21%, enquanto 24% dos entrevistados disseram que não dariam seu voto a ele de jeito nenhum. O candidato ateu, por sua vez, só receberia os votos de 8% dos entrevistados. Mais de a metade dos eleitores (52%) disse que não votaria nesse candidato que não crê em Deus.

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Entre evangélicos, Bolsonaro e Marina ganham força, mas seguem abaixo de Lula

A pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostra ainda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o preferido por 29% dos evangélicos para a eleição presidencial do ano que vem. Apesar de a vantagem do petista ser menor entre essa parcela do eleitorado do que em relação ao quadro geral (onde Lula tem 35% das intenções de voto), o ex-presidente lidera também entre os evangélicos.

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) é o candidato que mais ganharia força caso apenas os evangélicos fossem às urnas em 2018. O parlamentar saltaria de 16% de intenção de voto verificado no quadro geral para 21% de preferência entre os eleitores evangélicos.

Única candidata ligada expressamente à fé evangélica (entre os principais postulantes à Presidência), a ex-senadora Marina Silva (Rede) alcançaria 17% das intenções de voto. No quadro geral, Marina tem a preferência de 14% dos eleitores.

De acordo com o Datafolha, foram entrevistados 2.772 eleitores em todo o País entre os dias 27 e 28 do mês passado. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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