Informação de que o presidente de 77 anos de idade tem obstrução em artéria coronária foi divulgada ontem pela TV Globo; ao iG, Presidência diz que Temer passou por "bateria de exames", mas não confirma diagnóstico

Presidente Michel Temer teria adiado cateterismo para após votação de denúncia da PGR na Câmara dos Deputados
Beto Barata/PR - 21.8.2017
Presidente Michel Temer teria adiado cateterismo para após votação de denúncia da PGR na Câmara dos Deputados

O Palácio do Planalto negou nesta quarta-feira (11) que o presidente Michel Temer precisará ser submetido a um cateterismo por causa de obstrução parcial de uma artéria coronária. O diagnóstico de Temer, que tem 77 anos de idade e é o presidente mais velho da história do Brasil, foi divulgado na noite dessa terça-feira (10) pela TV Globo .

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Ao iG , a assessoria da Presidência da República afirmou que Michel Temer "está em bom estado de saúde" e que não há nenhuma intervenção cirúrgica agendada. A equipe do presidente confirmou que Temer realizou uma bateria de exames "há cerca de 15 dias", mas não confirmou o diagnóstico noticiado pela imprensa. Por fim, o Planalto garantiu que o presidente está trabalhando normalmente e "sem restrições".

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo , o peemedebista deverá passar por tratamento medicamentoso e dieta controlada para tentar dispensar a realização do cateterismo.

O procedimento médico consiste na introdução de um catéter, que é um tubo flexível extremamente fino, para desobstruir uma artéria que esteja total ou parcialmente entupida. 

De acordo com a TV Globo , o presidente teria cogitado fazer o procedimento na última sexta-feira (6), mas optou por adiar a cirurgia para depois da votação da denúncia contra ele na Câmara dos Deputados.

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Discussão de denúncia na CCJ da Câmara

Temer é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de cometer os crimes de obstrução à Justiça e organização criminosa. Para que o presidente se torne réu no Supremo Tribunal Federal (STF), é necessário a autorização da Câmara dos Deputados, que está analisando a denúncia oferecida por Rodrigo Janot.

Nessa terça-feira (10), o relator do processo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), apresentou parecer defendendo o arquivamento da denúncia.

A discussão do parecer deve ter início somente na próxima terça-feira (17) e, a partir de então, a comissão terá prazo de cinco sessões plenárias para votar o texto de Andrada. Independentemente do resultado da votação do parecer na CCJ, será do plenário da Câmara a palavra final sobre o prosseguimento ou não do processo. 

Para que a Casa autorize o STF a iniciar a investigação contra Temer, são necessários pelo menos 342 votos, o que corresponde a dois terços dos 513 deputados. Se esse número não for atingido, a denúncia é suspensa até o término do mandato presidencial.

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A denúncia

Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) são acusados de atuar em organização criminosa junto a outros integrantes do chamado "quadrilhão do PMDB na Câmara". Também foram denunciados por esse crime os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ex-assessor da Presidência Rodrigo Rocha Loures.

Nessa segunda denúncia contra Michel Temer, o presidente também é acusado de praticar crime de tentativa de obstrução à Justiça ao lado do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F. A acusação se refere ao episódio de suposta tentativa de compra do silêncio do lobista Lúcio Funaro.

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