Documentos contestam a denúncia feita pelo MPF que acusa Lula de ter recebido o imóvel como parte de uma propina paga pela Odebrecht

Lula usa documentos para afirmar que não recebeu propina da empreiteira
Paulo Pinto/AGPT
Lula usa documentos para afirmar que não recebeu propina da empreiteira

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentaram à Justiça, nesta segunda-feira (25), diversos documentos que comprovariam os pagamentos de aluguéis do apartamento em São Bernardo, na Grande São Paulo, vizinho do dele, que, segundo a denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF), o imóvel seria parte da propina paga pela Odebrecht ao petista.

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Os 26 recibos do aluguel estão com datas que se estendem de agosto de 2011 a dezembro de 2015. Todos são assinados por Glaucos da Costamarques, que é réu no processo da Operação Lava Jato junto de Lula - acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de ter recebido um terreno para o Instituto Lula como propina da empreiteira.

Em audiência com o juiz Sérgio Moro, o ex-presidente foi questionado se possuía algum comprovante de pagamento de aluguel, que respondeu que deveria ter algum recibo. A pergunta de Moro foi motivada pelo depoimento de Costamarques que, em interrogatório, havia afirmado não ter recebido nenhum pagamento entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015.

Recibos de aluguéis foram apresentados pela defesa de Lula depois de questionamento de Moro
Reprodução
Recibos de aluguéis foram apresentados pela defesa de Lula depois de questionamento de Moro

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Veracidade em questão

Porém, à Receita Federal, ele declarou que a família do petista havia quitado todos os valores desde 2011, quando fez o acordo com a ex-primeira-dama Marisa Letícia - falecida neste ano. O político também havia declarado os valores à Receita Federal. Para o MPF, essa medida serviu apenas para dar um ‘ar de veracidade ao contrato’, que seria fictício.

No entanto, não foi apresentada nenhuma prova por parte dos procuradores aos advogados do ex-presidente para sustentar essa afirmação.

"Na ausência absoluta de qualquer elemento que pudesse dar sustentação à fantasiosa tese de que o Peticionário [Lula] teria sido beneficiado com recursos provenientes de contratos com a Petrobras, a Força Tarefa da Lava Jato elegeu artificialmente uma relação privada de locação entre o Sr. Glaucos da Costamarques (locador) e D. Marisa Letícia Lula da Silva (locatária), envolvendo o citado apartamento 121 do [nome do prédio], no principal assunto da ação e dos questionamentos apresentados a Lula durante seu interrogatório em 13/09", disse a defesa de Lula na petição que apresentou o documento a Moro.

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