Roberto Gonçalves, que está preso preventivamente desde março, foi condenado pelo juiz nesta segunda-feira (25), no âmbito da Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Operação Lava Jato: Moro afirma que Gonçalves recebeu R$ 12,8 milhões da Odebrecht e da UTC em propinas
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Operação Lava Jato: Moro afirma que Gonçalves recebeu R$ 12,8 milhões da Odebrecht e da UTC em propinas

O ex-gerente da Petrobras, Roberto Gonçalves , foi condenado a 15 anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, nesta segunda-feira (25), no âmbito da Operação Lava Jato. 

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Segundo a sentença publicada por Moro hoje, o ex-gerente da área de engenharia da estatal teria recebido R$ 12,8 milhões em propinas da Odebrecht e da UTC, por meio de contratos para as obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj).  A denúncia feita pelo Ministério Público Federal aponta que Gonçalves recebeu "o bastão da propina" quando entrou para substituir Pedro José Barusco Filho (que também foi condenado e preso na Operação Lava Jato ) na Gerência Executiva de Engenharia da Petrobras, em março de 2011. 

O ex-gerente permaneceu no cargo até maio de 2012. Durante esse período, ele participou do acerto de propinas e recebido parte delas, de acordo com a denúncia, que ainda afirma que, no contrato celebrado entre a Petrobras e o Consórcio Pipe Rack, formado pela Odebrecht, UTC Engenharia e Mendes Júnior, para obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em setembro de 2011, teria havido oferta e solicitação de vantagem indevida de R$ 18,6 milhões direcionada à Diretoria de Serviços da Petrobras.

Também é citado o contrato entre a Consórcio TUC Construções, formado por Odebrecht, UTC Engenharia e PPI - Projeto de Plantas Industriais Ltda., em novembro de 2011, para fornecimento de serviços na Comperj, com a oferta de vantagem indevida de R$ 38 milhões à Diretoria de Serviços da Petrobras.

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O texto publicado por Moro destaca o fato de que Gonçalves admitiu, em depoimento, ter recebido propina das duas empreiteiras citadas na denúncia. Na época, um dos representantes do MPF perguntou a ele: "Então, se eu estou entendendo, o senhor confessa que recebeu esses valores tanto da Odebrecht quanto da UTC?". O ex-gerente respondeu: "ao mesmo tempo que eu confesso que não fiz qualquer ato ou omissão para isso".

Na sentença, o juiz federal condena o ex-gerente pelo crime de corrupção passiva por duas vezes; pelo crime de lavagem de dinheiro por doze vezes, já que houve "recebimento, com ocultação e dissimulação, de recursos criminosos provenientes dos contratos da estatal em contas secretas no exterior"; e também pelo crime de pertinência à organização criminosa. 

Roberto Gonçalves ainda está proibido de ocupar cargos no setor público por 30 anos. Ele também deverá pagar uma multa de cerca de R$ 1,24 milhão estipulada pelo juiz, na soma dos três crimes praticados. O ex-gerente da Petrobras está preso desde março no Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. 

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Outros condenados

Também foram condenados por Sérgio Moro , na mesma sentença da Operação Lava Jato desta segunda-feira, outras quatro pessoas envolvidas no esquema, sendo que todas já fecharam acordo de delação premiada e, por isso, receberam os benefícios combinados para o cumprimento de pena. São elas: Márcio Faria da Silva (ex-executivo da Odebrecht: condenado por lavagem de dinheiro) Olívio Rodrigues Júnior (operador de contas estrangeiras para a Odebrecht: condenado por lavagem de dinheiro), Rogério Santos de Araújo (ex-executivo da Odebrecht: condenado por lavagem de dinheiro), Walmir Pinheiro Santana (ex-executivo da UTC: condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva).  

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