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Ex-governador do Rio é sentenciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa investigados na Operação Calicute

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, já havia sido condenado a 18 anos de prisão, por Sérgio Moro
Valter Campanato Arquivo/Agência Brasil
O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, já havia sido condenado a 18 anos de prisão, por Sérgio Moro

O ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, foi condenado a 45 anos e 2 meses de prisão além de multa na noite desta quarta-feira (20). Ele estava sendo investigado no âmbito da Operação Calicute, um dos desdobramentos da Lava Jato, e foi acusado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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De acordo com a denúncia da operação, o esquema era de desvio de dinheiro de contratos do governo do Rio com empreiteiras. Além de Sérgio Cabral , a sentença proferida pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal também condenou outros 11 participantes do esquema. A esposa do ex-governador, Adriana Ancelmo, recebeu a sentença de 18 anos e três meses de reclusão.

Cabral é o chamado de "idealizador do gigante esquema criminoso institucionalizado no âmbito do Governo do Estado do Rio de Janeiro, era o chefe da organização, cabendo-lhe essencialmente solicitar propina às empreiteiras que desejavam contratar com o Estado do Rio de Janeiro, em especial a Andrade Gutierrez, e dirigir os demais membros da organização no sentido de promover a lavagem do dinheiro ilícito", conforme escreveu Bretas na sentença.

O juiz também acrescentou ao documento que o ex-governador solicitou a Rogério Nora, presidente da Andrade Gutierrez, o pagamento de propina, para que a empreiteira firmasse contrato com o Estado do Rio de Janeiro, em reunião realizada no início de 2007, na casa de Cabral. A solicitação havia sido reforçada em outra reunião, dessa vez realizada no Palácio Guanabara.

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“Ato contínuo, promoveu a lavagem do dinheiro espúrio angariado, de diferentes formas, valendo-se dos demais réus, inclusive de Adriana Ancelmo, sua companheira de vida e de práticas criminosas", incluiu o texto.

A defesa de Cabral afirmou que a sentença é uma “violência contra o Estado democrático de Direito e só reforça a arguição de suspeição que nós já fizemos contra o juiz que a prolatou”.

O advogado Rodrigo Rocca também declarou que “a condenação do ex-governador pelo juiz Marcelo Bretas já era esperada, todo mundo sabia disso, e tanto sabia disso que nós já vínhamos preparando recurso de apelação para os órgãos de jurisdição superior, onde os ânimos são outros e a verdade tem mais chance de sobrevivência”.

Primeira condenação

Essa não é a primeira vez que Sérgio Cabral é condenado. Ele também já havia recebido a sentença de 14 anos e dois meses por corrupção e lavagem de dinheiro pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância. A Justiça constatou que ele recebeu propina de empreiteiras. De acordo com a Procuradoria, o dinheiro havia sido desviado do contrato de terraplanagem nas obras do Comperj.

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