Joesley e Saud ficam calados em interrogatório sobre gravação que cita o STF

Presidente do STF pediu investigação para apurar o conteúdo de conversa entre os empresários; defesa tentou evitar a anulação do acordo de delação
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil - 11.9.2017
Gravação envolvendo Joesley Batista e Ricardo Saud: delatores planejam estratégias para atingir ministros do STF

Durante interrogatório nesta quinta-feira (14), o empresário Joesley Batista, sócio da JBS, e o executivo da J&F Ricardo Saud ficaram calados. Os dois foram ouvidos na Superintendência da Polícia Federal em investigação instaurada por determinação da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, para apurar o episódio envolvendo o conteúdo de conversa gravada entre os  dois em que mencionam ministros da Corte .

A estratégia do advogado de Joesley Batista e Saud, Antonio Carlos Castro Machado, o Kakay, era que os dois ficassem calados na tentativa de evitar que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rescindir o acordo de delação premiada firmado com o empresário, o que acabou se confirmando depois.

No sábado (9), os dois tiveram a prisão temporária decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, que também decidirá, se a prisão temporária, de cinco dias, e cujo prazo termina nesta quinta-feira, será prorrogada.

Acordo cancelado

O acordo de delação premiada, que dava imunidade para os dois empresários em troca de informações, foi cancelado por Janot. O PGR também decidiu incluir Joesley e Saud na denúncia apresentada no final da tarde contra o presidente Michel Temer pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.

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A peça acusatória é baseada no acordo de colaboração premiada firmado por Funaro com a Procuradoria-Geral da República, que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal, e as informações prestadas constam da denúncia.

“Ao que tudo indica, o [Rodrigo] Janot estava insatisfeito por dar imunidade a eles, foi muito criticado por isso e, sem nenhum fundamento jurídico, alegando que ele teria faltado integralmente com a verdade em um depoimento; sem dar chance de esclarecimento, porque ainda estava no prazo da entrega de documentos, resolveu pedir a rescisão e a prisão dele”, disse Kakay.

A PGR acusou Temer de instigar Joesley a pagar , por meio de Ricardo Saud, vantagens a Roberta Funaro, irmã do doleiro Lúcio Funaro. Os três foram denunciados por embaraçar as investigações de infrações praticadas pela organização criminosa.

Gravação

Uma das gravações entre os delatores da JBS indicam que eles planejavam usar o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para atingir ministros da Suprema Corte. A ideia era gravar uma conversa com Cardozo na tentativa de identificar os ministros sobre os quais ele poderia ter influência. “Depois vamos botar tudo na conta do Zé", diz Joesley Batista no áudio divulgado pelo STF .

* Com informações da Agência Brasil

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