Investigado por esquema de corrupção e lavagem no Mato Grosso, chefe da Agricultura negou tentativa de obstruir a Justiça; na contramão, ministro do STF apontou "veementes indícios" de crimes ao autorizar operação da PF

Alvo de mandados de busca e apreensão, ministro Blairo Maggi negou tentativas de obstruir a Justiça
Antonio Araujo/Ministério da Agricultura - 24.8.17
Alvo de mandados de busca e apreensão, ministro Blairo Maggi negou tentativas de obstruir a Justiça

Alvo de operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (14) , o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), rechaçou as suspeitas de que teria atuado para tentar obstruir a Justiça e garantiu que "jamais utilizou de meios ilícitos".

"Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a Justiça", disse Blairo Maggi , em nota. "Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. Sempre respeitei o papel constitucional das instituições e deixo claro que usarei de todos os meios legais necessários para me defender e reestabelecer a verdade dos fatos."

O ministro é investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura crimes de lavagem de dinheiro e repasse de propina no Mato Grosso, estado do qual Maggi foi governador. Vários endereços ligados ao chefe da Agricultura do governo Temer foram vasculhados por policiais federais nesta manhã, incluindo o apartamento onde ele mora, na Asa Sul, em Brasília.

O cumprimento dos mandados de busca e apreensão foi autorizado pelo ministro do STF Luiz Fux atendendo a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Janot sustentou no pedido enviado ao STF que Maggi teria praticado, de 2014 a 2017, "atos que caracterizam obstrução de investigação criminal no bojo da Operação Ararath, a fim de que não fossem produzidas provas em seu desfavor".

De acordo com a PGR, os suspeitos Eder de Moraes Dias e Eumar Novacki teriam combinado de "unificar as linhas de defesa" para não implicar o ministro. Isso teria ocorrido logo após a deflagração da primeira fase da Operação Ararath, em 2013, quando foram encontrados "diversos documentos que implicavam direta e indiretamente Blairo Maggi".

Eles também teriam solicitado ao colaborador Gércio Marcelino Mendonça Junior que “não mencionasse nada a respeito da pessoa de Blairo Maggi em seus depoimentos, com o objetivo claro de blindá-lo de quaisquer acusações”. A acusação foi corroborada pelos depoimentos do ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa (que possui acordo de delação premiada), além do próprio Gércio e de Genir Martelli.

Em sua defesa, Maggi negou que Eder de Moraes, que foi seu secretário no Governo do MT, tenha recebido valores para poupá-lo nas investigações da Operação Ararath.

"Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja mudanças de versões em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim ao então secretário Eder para acobertar qualquer ato, conforme diz de forma mentirosa Silval", disse o ministro.

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Ministro do STF aponta "veementes indícios" de crimes

Ao autorizar o cumprimento dos mandados judiciais, o ministro do Supremo Luiz Fux afirmou que são "veementes os indícios quanto ao cometimento do crime de obstrução de investigação de crimes de organização criminosa por parte de Blairo Borges Maggi" e por outros cinco investigados – que também foram alvos da operação de hoje.

Fux autorizou até mesmo buscas em carros estacionados nos endereços dos investigados e liberou a apreensão de valores em dinheiro, e de "documentos de qualquer natureza e livros contábeis, formais ou informais, recibos, agendas, ordens de pagamento e quaisquer outros elementos de prova".

Além do apartamento de Blairo Maggi em Brasília, também foram revirados pelos policiais federais um escritório do ministro em Cuiabá (MT) e uma casa em Rondonópolis (MT).

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