Versão apresentada por lobista em delação casa com fatos narrados por executivos da Odebrecht e por ex-assessor do presidente; Funaro disse ainda que Temer e Cunha tramavam 'diariamente' queda de Dilma, informa Estadão

O lobista Lúcio Funaro afirmou em seu acordo de delação premiada que o presidente Michel Temer e o ex-ministro Geddel Vieira Lima repartiram propina de R$ 1 milhão paga pela Odebrecht. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (13) pelo jornal O Estado de S.Paulo , segundo o qual as declarações constam de um dos anexos do acordo entre Funaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) – já homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o corretor de valores, ele próprio foi responsável por intermediar a retirada e entrega de R$ 1 milhão em espécie pagos pela construtora em 2014 ao então vice-presidente e a Geddel. A versão apresentada por Funaro coaduna com os fatos narrados anteriormente por ex-executivos da Odebrecht  e pelo advogado José Yunes , ex-assessor e amigo pessoal do presidente Michel Temer .

O ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho revelou em seu acordo de colaboração com a Justiça que participou de um jantar em abril de 2014 no Palácio da Jaburu ao lado de Marcelo Odebrecht, de Temer e do hoje ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Nesse encontro, teria sido acertada doação via caixa dois de R$ 10 milhões ao PMDB. O Palácio do Planalto confirma que esse jantar ocorreu, mas nega tratativas sobre recursos ilícitos.

Parte desse valor, conforme narram delatores da empreiteira, foi encaminhada ao escritório de advocacia de José Yunes na zona sul da capital paulista. O próprio Yunes reconheceu em entrevista concedida à Folha de S.Paulo em fevereiro deste ano que recebeu um "pacote" em seu escritório, que posteriormente foi retirado por Lúcio Funaro.

Agora, o lobista conta que Geddel Vieira Lima o telefonou à época dessa negociação e pediu a ele para que retirasse R$ 1 milhão em espécie do escritório do amigo de Temer.

Segundo o Estadão , Funaro conta no anexo intitulado "Intermediação de Pagamentos de Propinas para Interpostos do Presidente" que os valores "eram para Michel Temer", que estava enviando "parte do dinheiro arrecadado para Geddel".

O lobista narra que, após retirar pessoalmente no escritório de Yunes uma caixa com a quantia acertada, ele encarregou um funcionário para entregar a encomenda a Geddel na sede do PMDB na Bahia.

Geddel foi preso na última sexta-feira (8) após a Polícia Federal localizar R$ 51 milhões em espécie em apartamento usado como "bunker"  pelo ex-articulador político do governo Temer. O ex-ministro também é réu em ação penal que apura se Geddel teria tentado evitar justamente a assinatura de um acordo de delação premiada por parte de Lúcio Funaro.

Temer e Cunha tramaram queda de Dilma

O lobista também afirmou em seu acordo de colaboração com a Justiça que Temer e o  ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB)  tramavam "diariamente" os trâmites para destituir Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República.

“Na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles confabulavam diariamente tramando a aprovação do impeachment e, consequentemente, a assunção de Temer como presidente”, narrou Funaro, conforme publicou o Estadão .

Funaro foi o braço-direito de Eduardo Cunha em esquemas criminosos e é réu ao lado do ex-deputado em ao menos duas ações penais. O lobista alega que Cunha era o arrecadador de propinas do chamado "quadrilhão do PMDB", que tinha Temer como articulador do núcleo político.

A Polícia Federal concluiu em inquérito entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (11) que há indícios de que Michel Temer efetivamente atuou na organização criminosa do PMDB com atuação na Câmara dos Deputados.

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