Possível envolvimento do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, levou juiz de Brasília a autorizar envio de inquérito ao Supremo

R$ 51 milhões encontrados em
Divulgação/Polícia Federal
R$ 51 milhões encontrados em "bunker" de Geddel Vieira Lima representam a maior apreensão já realizada no País

O inquérito policial que investiga a origem dos R$ 51 milhões encontrados em apartamento utilizado como "bunker"  pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada nesta quarta-feira (13) pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, atendendo a pedido do delegado da Polícia Federal Marlon de Oliveira Cajado.

A autoridade policial alegou ao juiz de Brasília que foram encontrados indícios, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, de que o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel Vieira Lima , teria envolvimento com os fatos investigados.  Como Lúcio detém prerrogativa de foro privilegiado, o prosseguimento das investigações depende da autorização da Suprema Corte.

O STF deverá ainda decidir se a investigação se dará de forma conjunta ou se haverá desmembramento dos fatos relacionados ao deputado federal e dos crimes atribuídos a Geddel.

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Irmão teria atuado no empréstimo do apartamento

Os investigadores da PF alegaram ao Juízo da 10ª Vara Federal do DF que "não se pode excluir de pleno a participação de Lúcio Vieira Lima no ilícito de lavagem de dinheiro".

A suspeita decorre da descoberta de elementos indicando que o parlamentar teve relação com o empréstimo do apartamento onde a fortuna de Geddel foi encontrada. Um desses elementos, conforme informou a PF, foi a localização de uma foi fatura que pertencia a uma funcionária do deputado federal.

O imóvel pertence ao empresário Silvio Silveira, que disse em depoimento que emprestou o apartamento para que Geddel  armazenasse no local os pertences de seu pai, que morreu no ano passado.

"A partir de agora, diante da existência de sinais de provas capazes de levá-lo [Lúcio] a eventual indiciamento no delito de lavagem de dinheiro, [...] o processo não poderá prosseguir neste Juízo, sem antes haver uma cognição pelo Supremo Tribunal Federal sobre todas as questões referentes aos procedimentos diretos e circunstanciais a esta apuração", considerou o juiz Vallisney em sua decisão.

Geddel foi preso preventivamente na última sexta-feira (8) junto a um aliado, o advogado Gustavo Pedreira do Couto Ferraz.

A apreensão dos R$ 51 milhões, que representam o maior valor de dinheiro em espécie já apreendido no Brasil, foi autorizada no âmbito das investigações da Operação Cui Bono, que apura se Geddel Vieira Lima atuou em esquema de fraude em empréstimos liberados por fundos controlados pela Caixa Econômica Federal. O ex-articulador político do governo Michel Temer é suspeito de ter participado do esquema enquanto exerceu a função de vice-presidente do banco.

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