Comissão Parlamentar Mista de Inquérito irá apurar a existência de irregularidades envolvendo operações da empresa com o BNDES

Aliado de Temer, deputado Carlos Marun diz que pautará o trabalho da CPMI pela “busca da verdade”.
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 14.6.17
Aliado de Temer, deputado Carlos Marun diz que pautará o trabalho da CPMI pela “busca da verdade”.

Aliado do presidente Michel Temer (PMDB), o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) foi escolhido nesta terça-feira (12) para ser o relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) criada para investigar irregularidades envolvendo o grupo JBS e a holding J&F em operações com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Leia também: Fachin e Gilmar trocam farpas na véspera de decisão sobre delações da JBS

Além das irregularidades envolvendo o BNDES, a CPMI também deve apurar as condições em que foi firmado o acordo de delação premiada entre os empresários da companhia e o MPF (Ministério Público Federal) no âmbito da Operação Lava Jato.

A delação resultou nas denúncias que envolveram o nome de Temer em participação de esquema de pagamento de propina e troca de favores entre os empresários e o governo. Na semana passada, as investigações sofreram uma reviravolta após a divulgação de um áudio de quatro horas em que os executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, da holding, acertam, de acordo com o MPF, a omissão de informações aos investigadores. Os executivos foram presos provisoriamente devido aos fatos.

Marun é um dos principais aliados do governo Michel Temer e em sua campanha recebeu recursos de outros candidatos que foram financiados pela JBS. O deputado nega que se sinta impedido para ser relator e que pautará o trabalho da comissão pela “busca da verdade”.

Leia também: "Facínoras roubam do país a verdade", diz Planalto após PF ligar Temer a crimes

“Eu me sentiria impedido se eu tivesse relação estreita com a JBS, coisa que eu não tenho. Então, me sinto completamente à vontade e tranquilo para o exercício dessa relatoria. Tenho uma relação estreita com o governo. Mas eu vou atuar em cima da verdade”, declarou.

Expectativas

O deputado disse ainda que espera que a comissão não se transforme em “espetacularização” e palanque eleitoral. “Eu desejo que essa CPI apresente à população brasileira as respostas que a sociedade quer saber. Por que A JBS teve tantas facilidades junto ao BNDES? Qual o resultado de tudo isso? Afinal, deu prejuízo para o banco ou não deu? Se suas dívidas previdenciárias têm algum tipo de justificativa e, em terceiro lugar, as circunstâncias que envolvem este acordo de delação, que hoje está aí sofrendo todos os tipos de contestação”, disse.

O deputado não será o único relator da investigação. Segundo o presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), o deputado Fernando Francischini (SD-PR) vai ficar com a primeira subrelatoria para tratar dos contratos com o BNDES, dos financiamentos e da delação. Já a segunda relatoria, nas áreas fiscal, previdenciária e agropecuária, ficará a cargo do deputado Hugo Leal (PSB-RJ).

Leia também: Funaro acusa Temer de ter autorizado repasse de caixa dois a Chalita, diz jornal

Ataídes justificou a escolha de Marun para relatar a CPMI pelo fato de ele ser do maior partido da Casa. “O PMDB é o protagonista da escolha por ser o maior partido na Câmara e é o nome indicado do partido e, como é costumeiramente aqui, que a proporcionalidade fica com a presidência ou relatoria, então eles indicaram o nome de Carlos Marun”, explicou Ataídes.


* Com informações da Agência Brasil

    Leia tudo sobre:
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.