Empresário confirma que comprou terreno de R$ 7,1 milhões para o Instituto Lula

Em depoimento prestado hoje ao juiz Sérgio Moro, dono da DAG Construtora disse que foi convidado pela Odebrecht a participar do negócio pois a empreiteira "não via com bons olhos" efetuar a compra diretamente
Foto: Reprodução/JFPR
Empresário Demerval de Souza Gusmão Filho, dono da DAG, em depoimento sobre compra de terreno para o Instituto Lula

O empresário Demerval de Souza Gusmão Filho, proprietário da DAG Construtora, reconheceu nesta quarta-feira (6) em depoimento ao juiz Sérgio Moro que atuou como 'laranja' da Odebrecht na compra de um terreno na zona sul de São Paulo para instalação de uma nova sede para o Instituto Lula.

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O depoimento de Demerval se deu no âmbito de ação penal da Lava Jato que apura se a compra do terreno para o Instituto Lula na Vila Clementino, na capital paulista, e de um apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foram contrapartidas pagas pela Odebrecht ao ex-presidente  em troca da atuação de Antonio Palocci para favorecer a empreiteira  junto à Petrobras.

O empresário relatou ao juiz Moro que foi procurado em julho de 2010  por Paulo Ricardo Baqueiro de Melo, ex-diretor do setor de realizações imobiliárias da Odebrecht que também é réu nessa ação penal. Paulo, segundo Demerval, disse haver uma "oportunidade de negócio" pois a Odebrecht havia identificado um terreno mas "não via com bons olhos" que a própria construtora aparecesse como compradora da área, argumentando que se tratava de um terreno pequeno.

O ex-executivo da Odebrecht então teria convidado Demerval a ser investidor por meio de sua empresa, a DAG, e depois ele se tornaria sócio no negócio. A prática, segundo ele, é comum no ramo imobiliário, e ele disse que tinha interesse. 

Posteriormente, ele disse ter participado de almoço com Marcelo Odebrecht – tido como seu amigo pessoal. O herdeiro e então presidente da construtora teria perguntado a Demerval se Paulo de Melo o havia deixado a par da "compra do terreno para a construção do Instituto Lula".

"Eu disse que ele havia me falado da compra do terreno, não da construção do Instituto Lula. E aí ele me disse que o Roberto Teixeira [advogado de Lula] estava coordenando pela parte do instituto a edificação e compra para o instituto e que ele, Odebrecht, foi chamado para ajudar nisso e viu ali uma oportunidade de negócio para mim", relatou Demerval.

Segundo o empresário, após confirmar seu interesse em atuar no negócio ele participou de reunião com Roberto Teixeira, que teria demonstrado pressa para resolver logo essa questão.

Demerval explicou que seria necessário pagar R$ 7,1 milhões à vista para comprar o terreno, fato que o levou a recorrer à Odebrecht para pedir o adiantamento de R$ 8,7 milhões de um contrato que a DAG tinha firmado com a empreiteira em outro empreendimento. Demerval diz ter comprado o terreno na Vila Clementino após receber esse pagamento, em setembro de 2010.

Na semana passada, análise pericial realizada pela assessoria de Pesquisa e Análise do Ministério Público Federal indicou que foram gastos R$ 12,4 milhões com a compra do terreno na Vila Clementino. Parte dessa quantia, segundo a perícia, teria sido "disponibilizada pelo Grupo Odebrecht com recursos de caixa dois".  

Lula é acusado de ter cometido crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos episódios referentes à compra do terreno para o Instituto Lula e do apartamento no ABC Paulista – apontados como contrapartidas ao ex-presidente em decorrência da atuação de Antonio Palocci em favor da Odebrecht. Lula prestará depoimento a Moro no âmbito dessa ação penal na quarta-feira da semana que vem (13). 

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Assista abaixo o principal trecho do depoimento do dono da DAG Construtor:



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