Fachin derruba sigilo das gravações de delatores da JBS

Ministro do STF decidiu tornar público as conversas entre Joesley Batista, Ricardo Saud e Francisco e Assis e Silva; conteúdo dos áudios motivou a PGR a abrir um processo de revisão do acordo de colaboração com os empresários
Foto: Carlos Humberto/SCO/STF - 23.6.16
Ministro do STF Edson Fachin é o relator responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Supremo

O ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (5) retirar o sigilo da gravação da JBS, que motivou a abertura do processo de revisão do acordo de colaboração de Joesley Batista , Ricardo Saud e Francisco e Assis e Silva, delatores ligados à JBS. A gravação tem cerca de quatro horas.

Nas gravações, é possível ouvir como Joesley e os diretores da JBS atuaram para obter o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Nos diálogos, que devem ser divulgados pelo STF ainda esta noite, os delatores relatam suposta influência sobre o ex-procurador da República Marcelo Miller, que fez parte da equipe do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A suspeita da PGR é que Miller atuou como “agente duplo” durante o processo de delação. Ele estava na procuradoria durante o período das negociações e deixou o cargo para atuar em um escritório de advocacia em favor da JBS .

Por meio de nota à imprensa, Miller informou que “tem convicção de que não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa”. O ex-procurador disse ainda que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos.

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Na segunda-feira (4), ao comunicar a abertura do processo de revisão das delações, Janot disse que mesmo se os benefícios dos delatores forem cancelados, as provas contra as pessoas citadas devem ser mantidas. No entanto, a decisão final cabe ao Supremo.

Temer pedia gravações                                                    

Na segunda-feira (4), em seu último dia de viagem à China, o presidente Michel Temer disse que recebeu “com serenidade” a notícia de que o procurador-geral da República abriu investigação para avaliar a omissão de informações nas negociações das delações de executivos da JBS. 

“Não houve uma alteração sequer. Aliás, desde o início. Se eu não tivesse essa serenidade desde o início, creio que ninguém suportaria o que aconteceu”, disse na saída do hotel antes de seguir para o último dia de reuniões na 9ª Cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, na cidade chinesa de Xiamen.

Temer reiterou que é seu advogado quem está cuidando do caso . “Eu tenho que ter a maior serenidade como sempre tive. Respeito todas as decisões que forem tomadas pela Justiça, pela Câmara dos Deputados, pela Procuradoria-Geral. Eu tenho que respeitá-las, mas não devo falar uma palavra sobre isso”, acrescentou. Durante a tarde desta terça-feira (5), a defesa de Temer havia pedido ao STF acesso a gravações da JBS.

* Com informações da Agência Brasil

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