Acusado de receber R$ 20 milhões em esquema na Caixa, ex-ministro usava apartamento de amigo em Salvador para supostamente "guardar pertences de seu falecido pai"; quantia escondida em caixas e malas será contabilizada

Dinheiro encontrado em
Divulgação/Polícia Federal
Dinheiro encontrado em "bunker" de Geddel Vieira Lima será contabilizado em um banco, informou a PF

Uma verdadeira fortuna foi encontrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (5) em um endereço associado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima  em Salvador, na Bahia. A quantia armazenada em várias malas e caixas estava em um apartamento supostamente utilizado como "bunker" pelo ex-articulador político do governo Michel Temer, conforme informou a própria PF.

A apreensão foi realizada durante a Operação Tesouro Perdido, 3ª fase da Operação Cui Bono, que apura o envolvimento de Geddel Vieira Lima em esquema de pagamento de propina a agentes públicos a partir de repasses de fundos de investimentos controlados pela Caixa Econômica Federal. O ex-ministro é acusado de receber cerca de R$ 20 milhões por sua atuação enquanto vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa.

A quantia total de dinheiro em espécie ainda não foi contabilizada, o que será feito após o transporte do montante a um banco. Segundo a Polícia Federal, o valor posteriormente será depositado em uma conta judicial.

De acordo com a PF, o apartamento na capital baiana pertence a Silvio Silveira, que cedeu o local para que Geddel supostamente, "guardasse pertences de seu falecido pai".

"Há fundadas razões de que no imóvel existam elementos probatórios da prática dos crimes relacionados na manipulação de créditos e recursos realizadas na Caixa Econômica Federal, considerando que Geddel Vieira Lima é um dos envolvidos no referido esquema ilícito e
estava fazendo uso velado do aludido apartamento, que não lhe pertence, mas a terceiros, para guardar objetos/documentos", escreveu o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, ao autorizar o cumprimento do mandado de busca e apreensão no local.

Funaro já havia relatado malas de dinheiro

Em pedido de prisão preventiva apresentado em julho pelo Ministério Público Federal, os procuradores já haviam mencionado depoimento de Lúcio Funaro em que o lobista relatou aos investigadores ter entregado malas de dinheiro a Geddel.

"[Funaro] fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima. Essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar, localizada no aeroporto de Salvador (BA), diretamente nas mãos de Geddel", transcreveu a Polícia Federal. "Realmente, em duas viagens que fez, uma para Trancoso (BA) e outra para Barra de São Miguel (BA), o declarante [Lúcio Funaro] fez paradas rápidas em Salvador (BA) para entregar malas ou sacolas de dinheiro para Geddel Vieira Lima."

O ex-ministro se tornou réu no fim do mês passado por suposta tentativa de embaraçar investigações . A denúncia recebida pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do DF, está ancorada nas ligações feitas por Geddel à esposa de Lúcio Funaro, Raquel Pitta. De acordo com os procuradores das operações Cui Bono e Sépsis, Geddel teria pressionado Raquel para tentar evitar que Funaro fechasse um acordo de colaboração com a Justiça – o que posteriormente veio a acontecer.

Geddel Vieira Lima chegou a ser preso preventivamente no início de julho, mas acabou autorizado a cumprir prisão domiciliar após decisão de um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

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