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Senador é acusado pela Procuradoria-Geral da República de beneficiar a Odebrecht na votação de duas medidas provisórias em troca de propina

Ém menos de duas semanas, o senador e líder do governo no Senado Romero Jucá foi denunciado três vezes pela PGR
Pedro França/Agência Senado - 6.8.2014
Ém menos de duas semanas, o senador e líder do governo no Senado Romero Jucá foi denunciado três vezes pela PGR

O senador e líder do governo no Senado, Romero Jucá foi denunciado mais uma vez pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta segunda-feira (28). Na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador acusa o parlamentar de receber R$ 150 mil de propina para beneficiar a empreiteira Odebrecht na votação de duas medidas provisórias que teriam beneficiado a empresa.

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A acusação foi baseada nos depoimentos de delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-executivo da empreiteira. Segundo o delator, o pagamento ocorreu após um pedido de Romero Jucá e não há como justificar que o repasse foi feito como doação partidária.

“Não há dúvidas de que o sistema eleitoral foi utilizado para o pagamento disfarçado de vantagem indevida a partir de ajuste entre Jucá e o executivo do Grupo Odebrecht Cláudio Melo Filho", diz trecho da denúncia.

Após a chegada da peça da PGR, Antonio Carlos de Almeida Castro, advogado do senador, disse que a denúncia da PGR é uma tentativa de "criminalizar a atividade parlamentar". Segundo o defensor, a denúncia será rejeitada porque não descreveu como o parlamentar teria dado contrapartida à empreiteira.

Denúncias recentes

Na última semana, mais duas denúncias contra Jucá foram apresentadas pela PGR . Na sexta-feira (25), o líder do governo junto a Renan Calheiros e José Sarney – três dos principais nomes do PMDB – foram denunciados por desvios em contratos com a Transpetro.

Os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Garibaldi Alves (PMDB-RN) também figuram na denúncia. De acordo com a PGR, o grupo cometeu crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em episódios envolvendo negócios da empresa estatal no período de 2008 a 2012.

A denúncia entregue ao ministro do STF Edson Fachin é baseada em depoimentos prestados por três delatores (que também figuram no ról de denunciados). São eles o ex-presidente da subsidiária de gás natural da Petrobras Sérgio Machado, o ex-executivo da Odebrecht Fernando Reis e o administrador de empresas Luiz Maramaldo. Nelson Cortonesi Maramaldo fecha a relação de acusados por Rodrigo Janot.

Já na última segunda-feira (21), o líder do governo no Senado foi denunciado pela PGR no âmbito da Operação Zelotes  , que apura pagamentos de propina a agentes públicos em troca da manipulação de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

A denúncia oferecida por Rodrigo Janot tramita sob sigilo no STF, portanto ainda não há informações sobre a qual crime Romero Jucá está sendo acusado de cometer. Na quinta-feira (24), o ministro do STF Ricardo Lewandowski pediu a redistribuição da denúncia por entender que ela não teria relação com a Zelotes.

* Com informações da Agência Brasil

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