Defesa do ex-presidente alega que MPF indicou documentos sigilosos e acusa força-tarefa de procuradores de praticar "deslealdade processual"

Defesa de Lula reclamou de decisão de Sérgio Moro em autorizar juntada de novos documentos ao processo
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Defesa de Lula reclamou de decisão de Sérgio Moro em autorizar juntada de novos documentos ao processo

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta quinta-feira (17) pedido para que seja suspenso o novo depoimento do petista ao juiz Sérgio Moro . O novo encontro entre Lula e o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba está agendado para o dia 13 de setembro no âmbito da ação penal da Lava Jato que apura suposto esquema de pagamento de propina da Odebrecht  por meio da compra de um terreno para a construção da sede do Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Os advogados do ex-presidente justificam o pedido de suspesão das audiências marcadas para o mês que vem com a alegação de que o Ministério Público Federal apresentou "diversos papéis sem qualquer identificação e pleiteou a juntada de outros tantos" no dia 3 deste mês, o que foi aceito pelo juiz Sérgio Moro no dia 7.

Segundo a defesa, que acusa a força-tarefa de procuradores da Lava Jato de praticarem "deslealdade processual", entre os novos documentos estão anexos de termos de colaboração premiada que tramitam sob sigilo na Justiça, portanto estão inacessíveis aos advogados de Lula .

"Não é possível admitir que a acusação junte aos autos parte de procedimentos sigilosos — sem que a defesa do peticionário possa ter acesso à íntegra dos respectivos conteúdos. De outra banda, revela-se inadmissível que o Ministério Público Federal pretenda, neste momento, a juntada de papéis sem qualquer identificação — supostamente relativos às colaborações dos executivos do grupo Odebrecht", alega o advogado Cristiano Zanin Martin , responsável pela defesa de Lula.

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Outros depoimentos

Além da anulação da medida que autorizou a juntada dos novos documentos no processo, a defesa do ex-presidente cobra ainda a suspensão de todos os depoimentos agendados para o mês que vem. Estão marcadas audiências com todos os outros sete réus dessa mesma ação penal. O empreiteiro Marcelo Odebrecht  , o ex-diretor do setor de realizações imobiliárias da construtora, Paulo Ricardo Baqueiro de Melo, e o empresário Dermeval de Souza Gusmão Filho devem ser ouvidos no dia 4 de setembro.

Já o ex-ministro Antonio Palocci, o advogado Roberto Teixeira e o engenheiro Glaucos da Costamarques são esperados para interrogatório no dia 6 de setembro. O ex-assessor de Palocci na Casa Civil, Branislav Kontic, prestará depoimento a Sérgio Moro no mesmo dia em que Lula será ouvido. 

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