Wladimir Costa é acusado de assédio sexual contra jornalista; "Pra você, só se for o corpo inteiro", teria dito o parlamentar em resposta à repórter

Câmara: deputado Wladimir Costa (SD-PA) fez tatuagem no ombro em homenagem ao presidente Michel Temer
Reprodução/Facebook
Câmara: deputado Wladimir Costa (SD-PA) fez tatuagem no ombro em homenagem ao presidente Michel Temer

O PSB apresentou, nesta quarta-feira (9), uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra o deputado Wladimir Costa (SD-PA) por quebra de decoro parlamentar, após ser acusado de ter cometido abuso sexual contra a jornalista Basília Rodrigues, da rádio "CBN" .

Segundo o relato de Basília, Wladimir Costa havia saído de um jantar na casa do vice-presidente da Câmara , Fábio Ramalho (PMDB-MG), no dia 1º de agosto, quando foi questionado pela jornalista sobre a veracidade da polêmica tatuagem no ombro com o nome do presidente Michel Temer (PMDB); ela teria pedido para que a mostrasse, para provar que não era de henna , como afirma alguns tatuadores profissionais. Ao responder à repórter, o parlamentar disse: "para você, só se for o corpo inteiro”.

Basília afirmou que pediu ao deputado para que tivesse mais respeito por ela ser repórter e mulher e insistiu para que ele provasse que a tatuagem não era de henna. “Eu tenho várias tatuagens no corpo inteiro, amor", afirmou Costa.

A repórter o questionou mais uma vez, mas segundo Basília, o deputado, já distante, levantou o dedo na altura da boca e falou apenas mexendo os lábios “não”.  Ela repetiu: "então é porque é de henna", e Costa concordou com a cabeça. 


De acordo com o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que entregou a representação contra Costa ao Conselho de Ética, o documento não pede uma punição específica ao parlamentar. Segundo ele, essa definição caberá ao relator do caso. A punição pode variar de uma advertência até a perda do mandato.

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Em nota, o partido Solidariedade afirmou que “tem entre seus compromissos permanentes e imutáveis, combate a qualquer tipo de desrespeito, assédio ou violência contra as mulheres e seus direitos. Não abona, portanto, os termos que têm vindo a público, atribuídos ao deputado Wladimir Costa, em relação à informação de assédio sexual e moral”.

O partido informou ainda que vai ouvir o deputado “para conhecer formalmente a posição dele sobre os relatos divulgados pela mídia e reforçar a determinação de respeito e seriedade com as mulheres, que sempre nortearam a atuação do nosso partido”.

“Nude”

Na última quarta-feira (2), durante a votação que decidiu pela rejeição da denúncia da PGR contra o presidente, Costa foi flagrado em uma conversa pelo celular,  na qual pedia a uma mulher que lhe enviasse fotos íntimas. Em entrevista à “Rádio Jornal”, de Pernambuco, o parlamentar se justificou a respeito do pedido.

Segundo ele, a pessoa com quem ele conversava é uma repórter que também lhe pedia para que mostrasse a tatuagem com o nome de Temer.

Costa afirmou ainda que a profissional estava querendo “induzi-lo” a mostrar o corpo durante a votação na Câmara. “Se eu fizesse essa loucura, eu incorreria na quebra do decoro parlamentar”, disse Costa. O deputado , então, pediu que a jornalista mandasse “nudes”, ao invés dele. “Mostra tua bunda mostra afinal não são suas profissões que destacam como mulher é sua bunda. Vai lá põe aí garota [ sic ].”

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