Não há espaço para "alternativas não democráticas" na América Latina, diz Temer

Presidente comentou sobre a decisão do Mercosul de suspender a Venezuela do bloco por tempo indeterminado e diz que apoia o povo venezuelano
Foto: Marcos Corrêa/PR - 4.8.2017
Declaração do presidente Michel Temer foi feita por meio de vídeo publicado nas redes sociais do Planalto

O presidente Michel Temer (PMDB) afirmou neste domingo (6) que “não há mais espaço para alternativas não democráticas na América do Sul”. Em referência à decisão de suspender a participação da Venezuela no Mercosul, o peemedebista disse que espera que o país vizinho reencontre o caminho da democracia e possa voltar para o bloco.

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“Esperamos que a Venezuela encontre o caminho para a recomposição da ordem democrática, no respeito à diversidade de visões e posições. Queremos uma Venezuela que, de volta à democracia, possa voltar também ao Mercosul, onde será recebida de braços abertos”, declarou Temer em vídeo divulgado nos perfis da Presidência da República nas redes sociais.

Ainda durante o vídeo, o presidente brasileiro ressaltou que a situação da Venezuela “vem se deteriorando ao longo do tempo” e que a decisão do governo venezuelano de anular os poderes do Parlamento e convocar uma nova Assembleia Constituinte “causa crescente preocupação”.

O peemedebista destacou ainda que Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ofereceram oportunidade de diálogo, mas que, com a recusa da Venezuela, o Mercosul decidiu suspender a adesão do vizinho .

“Diante desse quadro, os governos dos países fundadores do Mercosul ofereceram oportunidade de diálogo no marco da nossa causa democrática, o protocolo de Ushuaia. O governo venezuelano, no entanto, recusou esse diálogo. A medida que se impunha era a da suspensão da Venezuela. O protocolo de Ushuaia, que exige a democracia nos países contratantes, é claríssimo, a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o processo de integração no Mercosul”, afirmou.

Por fim, o presidente garantiu que o Brasil, que atualmente preside o Mercosul, apoia o povo venezuelano e continuará atento aos desdobramentos da crise no país.

Crise política

No último sábado (5), a Assembleia Constituinte da Venezuela destituiu Luisa Ortega Díaz do cargo de procuradora-geral  do país. Diaz é considerada opositora ao governo do presidente Nicolás Maduro. Em seu lugar, foi nomeado Tarek William Saab.

De acordo com a imprensa estatal venezuelana, Diaz é acusada de violar a ética pública ao citar a "falta de legitimidade de origem" de juízes e ao criticar o papel do judiciário durante os protestos violentos no país, que já provocaram a morte de cerca de 125 pessoas.

O anúncio sobre a destituição da procuradora-geral foi feito poucas horas depois da reunião da cúpula do Mercosul. Representando o presidente Michel Temer, participou do encontro o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira.


* Com informações da Agência Brasil

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