Sessão que definiu rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer teve bate-boca, 'almoço da conciliação' e ironia com tatuagem de deputado

Plenário da Câmara registrou empurra-empurra durante sessão sobre denúncia contra o presidente Michel Temer
Wilson Dias/Agência Brasil - 2.8.17
Plenário da Câmara registrou empurra-empurra durante sessão sobre denúncia contra o presidente Michel Temer

Após mais de 12 horas, a maioria dos parlamentares da Câmara dos Deputados decidiu não autorizar a instauração de um processo contra o presidente Michel Temer  no Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão desta quarta-feira (2) foi marcada por uma série de manobras frustradas dos deputados da oposição e de tumultos envolvendo o deputado Wladimir Costa (SD-PA), que garantiu ter tatuado o nome de Temer no ombro direito. 

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Entre os debates e bate-bocas da sessão no plenário, houve tempo até mesmo para um almoço que reuniu opositores e aliados do governo na vice-presidência da Câmara, conforme informou o jornal Folha de S.Paulo. O banquete teve direito a arroz tropeiro, carne de sol e torresmo.

Já no plenário da Câmara, diversos integrantes da oposição colaram em seus ombros um adesivo em alusão à tatuagem de Wladimir Costa . O desenho continha a mesma grafia da tatuagem do paraense ("Temer"), só que precedido por um "Fora", o que resultou num "Fora, Temer".

Wladimir Costa também protagonizou confusão durante o período de discussão sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). O parlamentar do Solidariedade empunhava dois 'Pixulecos' – bonecos infláveis com a imagem do ex-presidente Lula vestido como presidiário –, em provocação aos petistas na Câmara. Um deles, o deputado Paulo Teixeira (SP), irritou-se com a atitude e agarrou o boneco das mãos de Costa e o mordeu, rasgando o ' Pixuleco '.

A cena tomou ares ainda mais pitorescos devido à chuva de dinheiro falsa promovida por deputados do PSOL naquele momento. O grupo levou ao plenário, além de faixas e cartazes contra Temer, malas com dinheiro falso para lembrar aos demais o episódio envolvendo as malas de dinheiro entregues pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS. O caso é um dos elementos presentes na denúncia contra Temer, que seria o destinatário final do dinheiro, recebido pelo ex-assessor Rodrigo Rocha Loures.

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Manobras frustradas

Governistas e oposicionistas discutiram muito nas semanas que antecederam a votação desta quarta-feira estratégias acerca do quórum necessário para votar a denúncia na Câmara . Na hora de colocar em prática o plano traçado, a base de apoio de Temer venceu fácil a queda de braço.

Eram necessários 342 deputados presentes no plenário para dar início à votação. Já era sabido que os parlamentares favoráveis à rejeição da denúncia seriam maioria nesta quarta-feira, mas esperava-se que o número não seria suficiente para autorizar o início da votação sem a ajuda de integrantes da oposição. Desse modo, cabia aos adversários políticos de Temer não registrar presença, para prolongar a 'sangria' do governo.

Cerca de quatro horas após o início da sessão, no entanto, o quórum já havia sido atingido, abrindo caminho para a vitória de Temer.

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