Na Argentina para reunião da Cúpula do Mercosul, presidente brasileiro não demonstrou preocupação com o aumento dos tributos: "Vão entender pois esse governo não mente"

Michel Temer diz não estar preocupado com reação da população
SERGIO LIMA / AFP
Michel Temer diz não estar preocupado com reação da população

O presidente Michel Temer comentou, na noite desta quinta-feira (20), o aumento do imposto sobre combustíveis que foi anunciado pelo governo para cumprir a meta fiscal de 2017. Tranquilo, o presidente disse não se preocupar com uma reação do povo brasileiro: "A população brasileira vai entender porque esse é um governo que não mente e não apresenta dados falsos", disse. O presidente ressaltou que a medida foi tomada para manter a meta fiscal e classificou o ato do governo como "responsável".

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Temer está na Argentina para a 50ª Cúpula do Mercosul, que está sendo realizada em Mendoza. Durante as reuniões, o presidente brasileiro deverá falar sobre a crise política na Venezuela e sobre possíveis acordos entre Mercosul e União Europeia.

Aumento de impostos

O governo anunciou nesta quinta-feira uma elevação das alíquotas do PIS/Cofins sobre combustíveis e anunciou um corte de R$ 5,9 bilhões de despesas que estavam previstas no Orçamento deste ano. Segundo nota enviada à imprensa pelo Ministério da Fazenda, o aumento do imposto "é absolutamente necessário tendo em vista a preservação do ajuste fiscal e a manutenção da trajetória de recuperação da economia".

A decisão foi oficializada por meio de um decreto assinado pelo presidente Michel Temer. Com o aumento do PIS/Cofins, a equipe econômica prevê uma receita adicional de R$ 10,4 bilhões em imposto . Nas contas do governo, a maior parte desse valor virá da gasolina , com arrecadação estimada em R$ 5,1 bilhões. Até o momento, R$ 0,38 por litro do combustível era voltado para o pagamento do tributo. Com a mudança, os consumidores pagarão R$ 0,79 por litro.

Outras medidas

Em março, o governo já havia anunciado medidas para manter a meta fiscal sobre controle. Na ocasião, foi anunciado o bloqueio de R$ 42,1 bilhões em gastos públicos e a expectativa com arrecadação extra a partir da reoneração da folha de pagamento na ordem de R$ 4,8 bilhões. A equipe econômica também divulgou novas receitas com relicitação de quatro hidrelétricas em R$ 10,1 bilhões, além da receita extra com a equiparação da alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de cooperativas de crédito.

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Os setores afetados pela reoneração da folha de pagamento foram: confecção, couros e calçados, têxtil, naval, aéreo, de material elétrico, autopeças, hotéis, plásticos, móveis, fármacos e medicamentos, equipamentos médicos e odontológicos, bicicletas, pneus e câmaras de ar, papel e celulose, brinquedos, instrumentos óticos, suporte técnico de informática.

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