Ministro do STF atendeu a pedido da PGR e concedeu mais 60 dias para a conclusão de inquérito que apura supostos crimes cometidos pelo tucano

Ministro Gilmar Mendes é relator de inquérito que investiga suposta atuação de Aécio Neves em esquema de Furnas
Reprodução/Senado
Ministro Gilmar Mendes é relator de inquérito que investiga suposta atuação de Aécio Neves em esquema de Furnas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes concedeu mais 60 dias para a Polícia Federal concluir as investigações acerca de suposta participação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no esquema criminoso instalado na estatal de energia Furnas .

A decisão de Gilmar, relator do inquérito de  Furnas no Supremo, atende a pedido da própria PF e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 

Aécio Neves é investigado pela suposta prática de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na estatal mineira. As suspeitas contra o tucano são embasadas nos depoimentos prestados por Delcídio do Amaral no âmbito do acordo de colaboração do ex-senador com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Segundo o MPF, as informações de Delcídio confirmam versão contada anteriormente pelo doleiro Alberto Youssef e traz detalhes sobre o envolvimento de Dimas Toledo , ex-diretor da estatal indicado por Aécio, e da irmã do presidente do PSDB, Andréa Neves, no esquema. 

O senador prestou depoimento à Polícia Federal no dia 2 de maio.

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"1/3 para Aécio Neves"

Aliado de José Dirceu, o lobista Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura também afirmou em depoimento que o ex-ministro decidiu, em 2005, apoiar a manutenção de Dimas Toledo no cargo de diretor de Engenharia de Furnas. A justificativa de Dirceu para essa decisão foi a de que essa fora a "única indicação pessoal" que Aécio fez ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Hourneaux de  Moura teria se encontrado com Dimas para transmitir o apoio de Dirceu, no que teria sido informado que "o diretório estadual do PT em São Paulo não precisaria se preocupar, não precisando nem aparecer no Rio de Janeiro, sede de Furnas, pois 1/3 iria para o PT de São Paulo, 1/3 para o PT Nacional e 1/3 para Aécio Neves", conforme transcrição do depoimento do lobista. 

De acordo com reportagem do jornal O Estado de S.Paulo , Delcídio teria afirmado aos procuradores que "sem dúvida" Aécio recebeu propina no esquema de corrupção em Furnas. O delator e ex-líder do governo Dilma no Senado disse ainda que o esquema na estatal de energia era semelhante ao da Petrobras, envolvendo inclusive as mesmas empreiteiras.

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