Dilma: rebeldia de Renan comprova que "Cunha atua da cadeia, por trás de Temer"

Renan Calheiros deixou liderança do PMDB atacando governo Temer e sua relação com ex-deputado preso na Lava Jato; Dilma cobra do STF julgamento sobre ilegalidade que 'propiciou o absurdo de um governo dirigido da cadeia'
Foto: J. Batista/Câmara dos Deputados - 2.2.16
Dilma Rousseff e Eduardo Cunha se cumprimentam durante sessão solene no Congresso Nacional

No dia seguinte às duras críticas proferidas pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL)  contra seu correligionário Michel Temer, a ex-presidente Dilma Rousseff se pronunciou alegando que as declarações de Renan "confirmam" que Eduardo Cunha  "governa por trás de Temer, até da cadeia".

Os ataques de Renan a Temer ocorreram nessa quarta-feira (28), quando o ex-presidente do Senado decidiu abandonar o papel de líder do PMDB na Casa. O parlamentar disse que não tem "vocação para marionete" e criticou o modo como Temer conduz as discussões de reformas no Congresso Nacional e sua relação com o ex-deputado Eduardo Cunha , preso desde outubro do ano passado na Lava Jato.

"Como mudar o pensamento de um governo comandado por Cunha, que, mesmo na prisão, seguia influenciando e – os fatos demonstram – até recebendo dinheiro? Até recebendo dinheiro!", disse Renan em seu pronunciamento.

Para a ex-presidente Dilma Rousseff , a declaração dá força ao argumento de seus apoiadores de que o impeachment sofrido por ela, processo esse iniciado por ordem de Cunha, trata-se de um "golpe".

"Senador Renan Calheiros confirma o que sempre denunciamos: Eduardo Cunha levou a cabo o golpe para governar por trás de Temer, até da cadeia. Cabe ao STF julgar a flagrante ilegalidade do impeachment que propiciou o absurdo de termos um governo dirigido desde a cadeia", escreveu Dilma na manhã desta quarta-feira (29) em sua conta no Twitter.

"Resultado do golpe"

O atual momento atravessado pelo governo de Michel Temer tem motivado uma série de manifestações por parte de Dilma nos últimos dias .

A petista comentou após a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o atual presidente que essa situação seria um resultado direto do "golpe de 2016".

"Resultado do golpe de 2016: deixar o País nas mãos do único presidente denunciado por corrupção. Impeachment sem crime de responsabilidade: ponte dos perdedores sobre a democracia para o desmonte do País", escreveu Dilma.

A ex-presidente apontou como responsáveis pela atual situação a "grande mídia", o PSDB e os "adeptos do Pato Amarelo", menção jocosa aos manifestantes que participaram de protestos contra ela, atos esses que ficaram marcados pela escultura de um pato de borracha idealizada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

"Grande mídia, PSDB, adeptos do Pato Amarelo conheciam a conduta do grupo que assaltou o Planalto e são responsáveis diretos por sua ascensão", escreveu Dilma.

Entregue nesta quarta-feira à Câmara dos Deputados , a denúncia por corrupção passiva contra Michel Temer diz respeito aos fatos narrados pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS. Joesley gravou conversa com o presidente em março deste ano na qual ele relatou um suposto plano para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ao que Temer responde com a emblemática frase: "tem que manter isso, viu?". O presidente nega que tenha compactuado com qualquer ato criminoso.

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