Rocha Loures pede para não ter a cabeça raspada na Papuda e depoimento é adiado

Polícia Federal remarcou o interrogatório do ex-assessor de Temer para sexta-feira; transferência para a Papuda segue indefinida, mas secretaria já reservou espaço para ele na cadeia: cela com capacidade para nove detentos
Foto: Reprodução/Globonews
Rocha Loures é alvo de inquérito aberto contra o presidente Michel Temer no Supremo Tribunal Federal

O ex-assessor especial do presidente Michel Temer e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB) teve o depoimento à Polícia Federal adiado para a sexta-feira (9). O interrogatório do peemedebista, preso no último sábado (3) , seria inicialmente realizado nesta quarta-feira (7).

O adiamento do depoimento de Rocha Loures atende a pedido apresentado pela defesa do ex-parlamentar ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados solicitaram ao ministro Edson Fachin, relator do inquérito contra Loures e Temer no Supremo, que seja determinada, a disponibilização de "todos os áudios e vídeos existentes até o momento" no processo ao menos 48 horas antes do interrogatório.

A defesa de Loures requer ainda uma audiência de custódia (julgamento para avaliar a legalidade e necessidade de se manter a prisão) antes de ele ser transferido da carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para o Complexo Prisional da Papuda , também na capital federal.

A transferência também deveria ocorrer nesta quarta-feira, mas pode ser adiada devido aos requerimentos da defesa. O ministro Edson Fachin pediu para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se manifestar a respeito dos pedidos em 48 horas.

Loures está preso deste o último sábado e é alvo do mesmo inquérito que foi aberto contra Michel Temer no STF. Ele é investigado por supostamente ter atuado, por indicação do presidente, para favorecer os interesses do grupo JBS junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Loures foi gravado recebendo mala com R$ 500 mil enviados pelos sócios da JBS, valor que seria a primeira parcela de uma espécie de 'mesada' a ser paga pelo grupo durante 20 anos ao ex-assessor e a Michel Temer.

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Cabelo preservado

A defesa de Loures pediu ainda, na petição entregue a Fachin, que o ex-assessor de Temer fosse alocado na "ala de internados de alto risco pela repercussão social" da Papuda e que fossem "assegurados todos os direitos fundamentais não abrangidos pela decretação de prisão preventiva". 

Como exemplo de direitos aos quais Loures tem direito está o pedido para “que não se lhe raspe o cabelo”. O ministro Edson Fachin não se manifestou acerca dessa solicitação específica.

De acordo com a Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal, Rocha Loures ficará preso na "ala de vulneráveis" da Papuda, em uma cela com capacidade para abrigar nove detentos.

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