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Valor foi identificado na conta do ex-ministro em março, mas ele alegava desconhecer sua origem; mensagens em celulares de empreiteiros revelam que Eduardo Cunha atuou cobrando doações à campanha de Alves em 2014

Ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB, foram alvos de operação
Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB, foram alvos de operação

O ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB)  tomou emprestada uma conta do ex-ministro Henrique Eduardo Alves, também peemedebista, para receber mais de R$ 2 milhões em propina. Os dois foram alvos da Operação Manus, desdobramento da Lava Jato que apura irregularidades envolvendo obras para a Copa do Mundo de 2014, deflagrada nesta terça-feira (6)  pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal.

De acordo com as investigações, Henrique Alves teria emprestado uma conta administrada por ele para Eduardo Cunha receber um total de R$ 2,3 milhões em propina. O valor foi descoberto em março deste ano em conta aberta por Henrique Alves na Suíça. Na ocasião, o ex-ministro alegou que desconhecia a origem do dinheiro.

As investigações que motivaram a operação de hoje tiveram início a partir da apreensão de um aparelho celular do ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, em uma das operações da Lava Jato. Foram identificadas mensagens que tratavam de pagamentos de propina para a campanha que buscava eleger Henrique Alves para o Governo do Rio Grande do Norte em 2014. 

Posteriormente, também foi identificada a participação das empreiteiras Odebrecht, Carioca Engenharia, Andrade Gutierrez no esquema, que envolvia o pagamento de propina aos dois peemedebistas mediante a atuação da dupla em favor das empreiteiras nos contratos para a construção do estádio Arena das Dunas, em Natal.

Apenas Eduardo Cunha, segundo o MPF, teria recebido e ocultado R$ 20 milhões no esquema.

Em julho do ano passado, a força-tarefa da Lava Jato identificou no celular do ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, mensagens no Whatsapp em que Cunha cobrava doações para a campanha de Henrique Alves  no RN.

Nas conversas, Cunha fornece ao empreiteiro dados da conta da campanha de Henrique Alves ao governo do Estado. Oficialmente, a Andrade Gutierrez doou R$ 100 mil para a campanha do peemedebista, que foi derrotado nas eleições daquele ano.

O ex-ministro de Turismo dos governos Dilma Rousseff e Michel Temer foi preso nesta terça-feira em caráter preventivo, que é quando não há um prazo determinado para manter o alvo detido. Ele é acusado de receber ao menos R$ 7,5 milhões e vai responder por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, devendo permanecer preso no sistema penitenciário do RN.

Além de receber propina, o ex-ministro teria tentado embaraçar as investigações iniciadas pelo Tribunal de Contas do RN para apurar o sobrepreço em contratos para a construção da Arena das Dunas.

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Esquema provocou prejuízo de R$ 77 milhões

Foram cumpridos nesta terça-feira um total de 33 mandados judiciais, sendo 5 de prisão preventiva, 6 de condução coercitiva e 22 de busca e apreensão. A operação foi autorizada pelo juiz federal Francisco Eduardo Guimarães Farias, titular da 14ª Vara no Rio Grande do Norte.

O esquema que envolvia doações via caixa dois em troca da atuação de Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves em favor de empreiteiras na obra da Arena das Dunas teria resultado sobrepreço de R$ 77 milhões pagos com dinheiro público.

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